A Santa Luzia do período da escravidão

A Santa Luzia do período da escravidão
Carolina Perpétuo Correa dá grande contribuição à história luziense ao escrever o livro Tráfico negreiro, demografia e famílias escravas em Santa Luzia, Minas Gerais, século XIX

Será lançado neste sábado, 14 de abril, na Livraria do Ouvidor, na Savassi, em Belo Horizonte, um livro que é uma radiografia do período da escravidão em Santa Luzia. A pesquisadora Carolina Perpétuo Corrêa, atualmente doutoranda em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, se debruçou sobre um amplo conjunto de documentos obtidos em paróquias, em cartórios, através de censos da época e escreveu “Tráfico negreiro, demografia e famílias escravas em Santa Luzia, Minas Gerais, século XIX”, que está saindo pela Editora Prismas.

Um documento precioso

O século XIX foi marcado por um contínuo processo de desmantelamento do escravismo brasileiro, que teve início com as discussões em torno do fechamento do tráfico negreiro internacional, nas primeiras décadas do século, e culminou com a abolição, em 1888. A obra de Carolina Perpétuo Corrêa investiga o impacto deste processo, com ênfase no fechamento do tráfico internacional de escravos nas posses escravistas de Santa Luzia, Minas Gerais, localidade que, embora tenha experimentado alguma prosperidade ao longo do período em questão, jamais integrou o grupo das áreas mais dinâmicas ou ricas da Província, como também nunca teve vínculos imediatos com as atividades exportadoras.

De modo geral, acredita-se que a legislação, que buscava pôr fim à importação de cativos africanos em 1831, teria permanecido letra-morta e que a compra de escravos novos teria continuado até 1850, quandoLfinalmente encerrou-se de vez o contrabando. A partir desse momento, teria se estabelecido um tráfico interno de escravos, sendo as regiões menos aquecidas economicamente responsáveis por suprir a demanda por mão-de-obra dos setores mais dinâmicos do Império.

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Estudos recentes fizeram conhecer que os fazendeiros de áreas voltadas para a exportação efetivamente se abasteceram de escravos novos enquanto foi possível e que, durante a segunda metade do século, senhores dessas localidades tinham meios para arcar com os preços cada vez mais altos de cativos. São raros, no entanto, os trabalhos sobre regiões economicamente periféricas – aquelas que, com o fechamento definitivo do tráfico internacional, teriam, teoricamente, se tornado fornecedoras de mão-de-obra para as regiões mais dinâmicas.

Baseado em evidências empíricas substanciais, extraídas de amplo conjunto de documentos, este livro tem o mérito de ajudar a suprir esta lacuna, permitindo uma melhor compreensão da escravidão no Brasil do Oitocentos.

Serviço:
Lançamento do livro Tráfico negreiro, demografia e famílias escravas em Santa Luzia, Minas Gerais, século XIX, da autora Carolina Perpétuo Corrêa
Editora Prismas
14/04/2018, das 11 às 14h
Livraria do Ouvidor
Rua Fernandes Tourinho, 253 – Savassi/BH

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2 Comentários

  • Paulo Giovannini
    13 de abril de 2018, 23:39

    Enfim, um veículo sério de informação e resgaste de nossa história. Felicitações aos responsáveis pela iniciativa.

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