Quilombo Manzo: Santa Luzia tem seu 1º bem imaterial reconhecido pelo estado

Quilombo Manzo: Santa Luzia tem seu 1º bem imaterial reconhecido pelo estado
Mãe Efigênia na entrada do quilombo, no bairro Bonanza, em Santa Luzia - Foto Acervo Iepha-MG

Luzias

O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou ontem o registro do quilombo Manzo Ngunzo Kaiango como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. O quilombo, cujo território original era restrito ao bairro de Santa Efigênia, em Belo Horizonte, incorporou uma área no bairro Bonanza, em Santa Luzia. A reunião do conselho, na sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), foi marcada pela emoção dos presentes e pelo depoimento da Mametu Muiandê, mais conhecida como Mãe Efigênia.

À exceção da Folia e da viola, o quilombo Manzo Ngunzo Kaiango é o primeiro bem cultural imaterial presente em Santa Luzia reconhecido em nível estadual como patrimônio cultural. Em Minas, é o sexto bem reconhecido como patrimônio imaterial, fazendo parte de uma lista que inclui o Modo Artesanal de Fazer o Queijo da Região do Serro (2002), a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte (Vale do Jequitinhonha, 2013), a Comunidade dos Arturos ( em Contagem,2014), as Folias de Minas (2017) e as Linguagens, fazeres e expressões musicais das Violas (2018).

A reunião foi presidida pelo secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, que falou da importância desse reconhecimento no atual momento político do país. “O registro do quilombo Manzo acontece no momento em que se exacerbaram no país os atos de intolerância contra nossa diversidade cultural e étnica. Por isso tem um significado muito especial. É um farol que ilumina esses tempos que estamos vivendo, como uma referência fundamental da importância da cultura afro-brasileira e da necessidade de tolerância étnica, cultural, religiosa e política”, salientou o secretário.

O depoimento de Mãe Efigênia perante o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural

Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango

A comunidade foi fundada na década de 1970, por Mãe Efigênia, descendente de indígenas e africanos que foram escravizados no Morro da Queimada, em Ouro Preto. Em 1955, ela migrou para Belo Horizonte junto com a sua família, se estabelecendo no bairro Santa Efigênia, na capital. Devido à invasão e expulsão (temporária) dos quilombolas de seu território original, a comunidade de Manzo se estendeu para Santa Luzia, em 2007, com o posterior assentamento de um terreiro de candomblé no bairro Bonanza.

Em Santa Luzia, o Manzo realiza a Festa do Caboclo Ubirajara, algumas das festas do calendário litúrgico do candomblé, atendimentos espirituais e benzeção, as giras (ritual) e iniciações de novos adeptos. Em conversa com a Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, Mãe Efigênia falou da intenção de realizar algumas atividades que ajudem a compreender e divulgar a presença da comunidade na cidade, incluindo a lavagem da escadaria de uma das igrejas, como forma de fortalecer o sincretismo religioso.

Em dezembro de 2017, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte também reconheceu o quilombo como patrimônio imaterial do município, juntamente com outras duas comunidades quilombolas. O registro na esfera estadual foi solicitado pela própria comunidade ao Iepha-MG, em fevereiro deste ano.

Esta linda fotografia é da página do Manzo no Facebook

De acordo com os estudos feitos pelo Iepha-MG, a comunidade, em sua maioria negra, possui identidade e território indissociáveis e mantém práticas sociais e culturais específicas, fundamentadas em uma religiosidade de matriz africana compartilhada entre seus membros, conformando uma cultura diferenciada e uma organização social própria, que constituem patrimônio cultural afro-brasileiro.

Se você se interessou e quiser saber mais sobre o quilombo Manzo, pode entrar nas redes sociais Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango (facebook) ou Ngunzokaiango (instagram). Manzo fica na rua Rio Grande do Sul, 330, bairro Bonanza, em Santa Luzia.

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