Dona Clara Carvalho Santana faria 100 anos neste 24 de junho, Dia de São João

Dona Clara Carvalho Santana faria 100 anos neste 24 de junho, Dia de São João
Dona Clara faleceu repentinamente, aos 87 anos, em 17 de agosto de 2008. Foto: José Luiz Santana

Para lembrar os 100 anos que Dona Clara Carvalho Santana completaria neste 24 de junho, Dia de São João, com lua cheia, escolhemos o poema Para Sempre, de Carlos Drummond de Andrade, que expressa exatamente o tamanho da saudade, sempre maior, à medida que os anos passam e sua luz se aviva em nossa memória:

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Dona Clara no meio das filhas. Em pé, da esquerda para a direita, Maya, Sãozinha, Bebete, Elisa e Lelena. Agachadas: Nenez e Nem

Outro poema que nos traz sempre Dona Clara é este, Saudade, escrito por Elisa Santana:

Quando o meu pai morreu
Apesar de não ser mais tão moça
Me encolhi como uma menina
Me cobri com o manto da
Tristeza
Do vazio
E da dor
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A generosidade
O amor
A saudade
Quando o meu irmão mais velho morreu
Eu fiquei estupefata
Achei a morte ingrata
Por ter convidado para uma dança
Um homem ainda novo
E achei o meu irmão bobo
Por ter aceitado a companhia
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A reza
A saudade
A sensação da casa vazia
Quando a minha mãe morreu
Eu uma mulher mais que feita
Chorei
Corri a encher as jarras de flores
Cantei pra ela
Tomei chá de folha de laranja da terra
Acendi vela
E dela
Quando a lembrança vem
Me faz pensar que agora
Em algum lugar
Em algum dia
Em alguma hora
Eu tenho alguém que me espera

Elisa Santana é Atriz, ex-professora de Artes Cênicas da PUC/MG, autora de um livro de poesias (Os Peixinhos do Meu Pano de Prato) e lançou um CD (Soneto 88)em 2015.

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2 Comentários

  • Nenez
    24 de junho de 2021, 09:40

    Mamãe!! Pedaço maior da nossa vida!

    RESPONDA
  • Elzira Perpétua
    24 de junho de 2021, 10:12

    Maya,
    Belo texto que reaviva nossa saudade e as doces lembranças de Clara…
    Elzira

    RESPONDA