Livro mostra obra de Wilson Batista, autor de fotos de Santa Luzia de 1920 e 1930

Livro mostra obra de Wilson Batista,  autor de fotos de Santa Luzia de 1920 e 1930
O carro de boi na rua Floriano Peixoto, em meados da década de 1930. Acervo Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia

Beto Mateus

Neto de luzienses, Wilson Batista passava as férias na casa dos avós e foi o autor de inúmeras fotografias, que revelam uma Santa Luzia distante no tempo

As imagens captadas pelo fotógrafo Wilson Baptista (1913-2014) são capazes de emocionar os seus observadores devido à delicadeza e a sutileza dos momentos eternizados pelo seu olhar. Nascido em Belo Horizonte, parte de sua obra está agora nas páginas do livro Wilson Baptista: urbano fotográfico organizado por Renata Marquez, Marconi Drummond e Paulo Baptista, e realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte.

Aos 100 anos, o fotógrafo cuidando da catalogação de seu imenso acervo fotográfico. Foto: Neise Mendes

Lançado na última terça-feira (17/07), nos jardins do Museu Histórico Abílio Barreto, o livro é uma pequena mostra do trabalho de um fotógrafo que se dizia amador, mas reservava intenso cuidado ao clique do botão disparador de sua máquina fotográfica. E, realmente, Wilson tinha outra atuação profissional. Formado em direito, era oficial do cartório de registro civil em Belo Horizonte.

O que pouca gente sabe é da relação de Wilson Baptista com Santa Luzia. Neto de luzienses, Wilson passava as férias na casa dos avós e foi o autor de inúmeras fotografias, que revelam uma Santa Luzia distante no tempo. Época em que se podia ouvir os ‘gemidos’ dos carros de boi em plena rua Floriano Peixoto e contemplar a imagem da bela capela de Santana, ou ainda dos enormes eucaliptos que ‘protegiam’ a subida do Morro do Sabão, atual Avenida Nossa Senhora do Carmo.

As fotografias realizadas em Santa Luzia são lembradas pelos filhos de Wilson, Maria Elisa e Paulo Baptista, que assinam um dos capítulos do livro lançado: “[Em 1988] Ubaldo Fonseca, sobrinho-neto de seu avô Augusto, intermediou, a pedido de Márcio de Castro Silva, a cessão de algumas fotos feitas em Santa Luzia nas décadas de 1920 e 1930 para complementar uma exposição planejada em comemoração ao aniversário de elevação da cidade a Comarca. A ocasião trouxe à tona suas primeiras fotos, imagens de sua meninice na casa dos avós, registro de uma cidade quase imaginária”.

O Morro do Sabão (atual Avenida Nossa Senhora do Carmo) está entre as fotos raras de Santa Luzia que compõem o acervo de Wilson Baptista. Acervo Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia

Responsável pelo início da catalogação e digitalização de seu acervo no início dos anos 1990, Wilson Baptista foi um dos fundadores e o primeiro presidente do Foto Clube de Minas Gerais. Organizou e participou de exposições e salões nacionais e internacionais de fotografia, sendo premiado diversas vezes. E, vez ou outra, tinha um reencontro com Santa Luzia.

Citada no livro, com uma das ‘moças’ que procuraram o fotógrafo por causa da “única fotografia de uma igreja de lá que foi demolida”, a historiadora Neise Mendes relembra o encontro, em setembro de 2013.

“Demoliram a igreja para fazer uma cadeia. Já pensou? disse em entrevista o fotógrafo, que registrou esta imagem da Igreja de Santana, na década de 1930. Acervo Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia

“Seu Wilson nos marcou muito! Ficamos impressionadas com sua lucidez, ele já estava com 100 anos e operava dois computadores ao mesmo tempo. Foi um encontro muito especial que a vida nos propiciou. Poucos meses depois soubemos do falecimento dele. Foi uma grande honra, uma lição de vida”, relembra Neise, que estava acompanhada da colega de trabalho Paula Novais. Juntas, as pesquisadoras estavam em busca de fotografias da igreja de Santana, captada por Wilson Baptista no final da década de 1930.

Até bem pouco tempo, os visitantes do Museu Histórico Aurélio Dolabella conferiam nos corredores do Solar Teixeira da Costa uma mostra permanente de várias cenas luzienses registradas por Wilson Baptista nas décadas de 1930 e 1940. As imagens chegaram à cidade intermediadas pelo então presidente da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, Márcio de Castro Silva (1931-1915), que comprou as reproduções para fazer parte do acervo do município.

Foto do perfil da Serra do Curral, tirada do campo do Santa Cruz, em 1941, está entre as preciosidades apresentadas no livro

Quem conferir o livro irá conhecer uma Belo Horizonte que vivia momentos entusiásticos de crescimento econômico, refletido na abertura de novas vias de circulação, como as avenidas Amazonas e Antônio Carlos. Mas, também vai se deparar, o que nos enche de orgulho, com uma belíssima foto tirada em 1941, de uma partida no campo do Santa Cruz, no bairro Bela Vista, em Santa Luzia. Como moldura à amistosa partida, um belíssimo perfil da Serra do Curral com proteção das torres de nossa bicentenária Igreja do Rosário.

Exposição permanente de fotografias de Wilson Baptista nos corredores do Museu Aurélio Dolabella. Foto: Marco Aurélio Fonseca

Deixe um comentário

Mantemos a privacidade de seu e-mail. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancel reply

1 Comentário

  • Juscelina
    19 de julho de 2018, 22:00

    Quando o Museu Aurélio Dolabela foi desativado a pretexto de reformar o prédio da Casa de Cultura o acervo foi levado para a Fazenda Boa Esperanca. Inclusive essas fotos do meu querido amigo Wilson Baptista. Um dia vi as fotos jogadas ali, a maior parte deteriorada. Cheguei a comentar com o filho do Sr. Wilson, Paulo Baptista, sobre a perda dessas fotos devido ao descaso da própria secretaria de Cultura com o acervo do Museu.

    RESPONDA