Pandemia tira os tapetes ornamentais das ruas e leva para o interior da igreja matriz

Pandemia tira os tapetes ornamentais das ruas  e leva para o interior da igreja matriz
Os tapetes, confeccionados ao longo de todo o sábado, ficaram assim dentro da matriz

Gustavo Werneck, Estado de Minas

Depois da via-crúcis de Jesus e do sofrimento de Maria revividos nas cerimônias da semana santa, está na hora de preparar a festa da Páscoa e celebrar a data mais importante no calendário dos cristãos: a ressurreição. Na manhã e início da tarde deste sábado (3/4), um grupo de jovens se dedica a tingir a serragem que será usada na montagem dos tapetes no interior do Santuário Arquidiocesano Santa Luzia, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

À frente das celebrações, o pároco e reitor do santuário vinculado à Arquidiocese de BH, padre Felipe Lemos de Queirós, explica que a ornamentação com tapetes é uma herança portuguesa, usada nas ruas, diante das casas, nas festas litúrgicas, a exemplo dos Santos padroeiros. “Desta vez, será tudo na igreja. Vamos enfeitar, da entrada ao altar da igreja, para a passagem do santíssimo sacramento, que é Jesus ressuscitado no domingo de Páscoa”, disse o pároco.

Um grupo de volutários preparou o material utilizado na montagem dos tapetes. Foto: Gustavo Werneck/EM/D.A Press

Arte e fé
Em Santa Luzia, diz padre Felipe, nada se perde, tudo se transforma em arte, criatividade e fé: “Aproveitamos, além da serragem, casca de ovo, flores, areia e borra de café. Este ano, devido à pandemia, homenageamos pessoas da comunidade que, em respeito às restrições sanitárias, não podem estar presentes”.

A tarefa de preparar o material para os tapetes reúne responsabilidade, concentração e “um pouco de diversão”, confessa Steffany de Oliveira Rodrigues, de 16, que estava com os braços e pernas pintados de verde, vermelho, preto e mostarda. “É minha segunda vez na confeção dos tapetes. Os jovens estão hoje ajudando, pois pessoas do grupo de risco não podem sair de casa.”

O grupo de voluntários trabalhou o dia inteiro para concluir a sua arte dentro da matriz

Os esboços da ornamentação no piso ficaram a cargo de Eduarda Gabriele Perdigão Viana, também de 16, que desenhou cálices, hóstias e uvas. Ao lado, o seminarista potiguar Leonardo Felipe Soares, de 23, falou sobre a alegria de participar do trabalho e da vigília pascal, que irá da tarde deste sábado (3) a domingo (4). “A chama da segurança se acende para esperar a luz, que é Jesus ressuscitado”.

Despejando a tinta sobre a serragem, o estudante de engenharia eletrônica, Leandro Christian Souza Santos, de 21, mostrou experiência, da mesma forma que Laura Diniz, de 14, e Henrique Barbosa, de 20.

A pandemia impediu que os tapetes fossem montados na rua, como é feito todos os anos

Vigília pascal
Neste sábado (3/4), a Igreja Católica celebra a Missa com a vigília pascal, que significa espera, expectativa pela ressurreição de Jesus. A vigília é tradicionalmente celebrada no escurecer do sábado. Dentro da celebração da missa, com os templos de luzes apagadas, é aceso o círio pascal – uma grande vela que fica em cada igreja, simbolizando a luz de Cristo. As leituras bíblicas, durante a missa, trazem narrativas do povo à espera do Messias.

O arcebispo metropolitano de BH, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside missa com a vigília pascal às 18h15, na Catedral Cristo Rei – Rua Campo Verde, 150, bairro Juliana, na Região Norte da capital.

Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese de BH, não haverá presença de fiéis. A vigília será transmitida pela TV Horizonte e redes sociais.

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