Organização internacional homenageia Rosa Werneck pelo seu trabalho social

Organização internacional homenageia Rosa Werneck  pelo seu trabalho social
A advogada Rosa Maria de Jesus Werneck, 60: "Estamos encantados. É um prêmio ao esforço de todos." Foto: Acervo familiar

Luzias

Não é à-toa que ela tem Jesus no sobrenome. Só alguém com espírito muito forte e inspiração vindos do alto poderia ter construído e vir mantendo a tão duras penas uma obra social cuja importância para a população carente de Santa Luzia está chamando a atenção não só de grandes empresas, como a Vivo, Cera Inglesa, Cacau Show, GrandMinas e outras, mas também de uma organização filantrópica internacional. A advogada Rosa Werneck, ou Rosa Maria de Jesus Werneck, será homenageada nesta quinta-feira(08) pelo National Hispanic Council on Aging (NHCOA) – Conselho Nacional para Idosos de Nacionalidade Latina -, com sede em Washington, nos Estados Unidos. A homenagem, através de uma transmissão ao vivo (live) no Facebook, das 20h às 22h15, é um reconhecimento pelo trabalho e pelo compromisso da Ong Solidariedade, Todos Juntos Sempre, fundada por Rosa, em melhorar a vida das pessoas de mais idade em Santa Luzia, de forma que “envelheçam com dignidade.”

Rosa cercada por alguns dos valiosos vonluntários que tornam possível o trabalho da Ong Solidariedade. Foto: Ong Solidariedade

A homenagem chega como um bálsamo, num momento em que a Solidariedade se prepara para, “com grande pesar”, deixar a sua sede no Córrego das Calçadas, onde vem atuando nos últimos cinco anos, desde a sua fundação, oferecendo cursos e uma série de outras atividades que movimentam e dão vida ao bairro. “vamos deixar o nosso atual endereço no dia 02 de janeiro, quando entregaremos as chaves. O prédio foi pedido pelo Padre Felipe (pároco da cidade),” informa Rosa, explicando que as instalações pertencem à Igreja, que cedeu o espaço gratuitamente, em 2016.

“Estamos saindo com muita tristeza do Córrego das Calçadas, onde fizemos grandes amigos e também ajudamos muitos dos moradores,” lamenta ela, explicando que, apesar de não ter uma renda própria, pois vive de doações, a Ong decidiu alugar uma casa, na Rua do Serro, 597, onde, já em fevereiro, pretende retomar os cursos, inclusive o de computação. O primeiro mês de aluguel foi pago pela Vivo. “Vamos ter que aumentar a nossa arrecadação com mais promoções, como bingos, rifas e leilões, por exemplo, porque não temos como arcar com essa despesa” – afirma Rosa.

Da esquerda para a direita, Marly, vice-presidente da Ong, Luiz Gabrich, Adnilce e Cléia, voluntários: trabalho em tempo integral. Foto: Luzias

Voluntários são a grande força

Santa Luzia tem uma população em torno de 220 mil habitantes. Uma parcela desses moradores vivem com renda muito baixa, insuficiente para levar uma vida considerada digna. É essa população que a Ong atende, oferecendo todo tipo de ajuda: alimentos, vestuário, orientação, remédios. Agora mesmo, está preparando cestas de Natal que serão encaminhadas a 500 famílias carentes do município. E, claro, a Solidariedade, o nome já diz, depende fundamentalmente de volutários. São dezenas deles, gente de alma grande, – profissionais liberais, professores, donas de casa e aposentados – que, sem qualquer incentivo financeiro, comparece diariamente, doando tempo e trabalho, com o louvável propósito de melhorar a vida de outras pessoas, às vezes, de famílias inteiras.

As aulas também são ministradas por voluntários e deverão voltar em fevereiro, já no novo endereço, atrás da matriz. Foto: Ong Solidariedade

“O trabalho dos volutários me emociona muito, porque eles são incansáveis e, de muitas maneiras, servem de incentivo para mim, de estímulo, para eu continuar levando adiante essas tarefas, que faço com tanta satisfação”, comenta Rosa. “Agora nos unimos ao grupo de restauração da Capela de São João Batista, na Ponte, Paulo Giovannini, Sandra Gabrich e Cristiano Massara, para a realização de promoções conjuntas. Isso só nos fortalece,” acredita ela, engajada em um trabalho incessante, não só porque são muitos os necessitados de assistência, mas pelo fato de a Ong não se ater aos limites de Santa Luzia. Além de bairros, como o próprio Córrego das Calçadas, Nova Esperança(?) Baronesa, Bonanza, Londrina, Frimisa, São Geraldo e tantos outros da área rural da cidade, a Solidariedade atende comunidades em outros municípios, como Vespasiano, Jaboticatubas e Baldim. Essas ações sociais não seriam possíveis, não fosse a ajuda não só das empresas citadas acima, como de famílias, de pessoas humanistas e de estabelecimentos comerciais como a escola Nuvi, de Belo Horizonte, e ainda o Sesc.

As alunas Joselita, Márcia e Agda: todas aprenderam a ler e escrever frequentando aulas da Ong. Foto: Luzias

O lamento pela saída da Ong do bairro

Quem conversa com moradores do Córrego das Calçadas que passaram pelas salas de aula da Ong tem a dimensão da grande mudança que a Solidariedade promoveu na vida delas ao ensiná-las a ler e escrever. É o caso de Agda Pinheiro, 75. “Eu não sabia nada. Aprendi aqui. O que significa para mim saber ler e escrever? Um mundo novo,” diz ela, completando: “Eu nasci outra vez.”

Sentada ao lado de Dona Alda, Joselita de Oliveira Souza, 55, é outra que se vangloria de, agora, fazer parte do mundo dos alfabetizados: “Eu sabia muito pouco. Aprendi mesmo foi aqui na Ong, que é muito importante para nós. Por isso acho muito ruim ela sair daqui.” Também aluna da Ong, onde chegou sem qualquer conhecimento de leitura ou de escrita, Márcia Maciel, 53, conta que já sabe escrever e está aprendendo a ler. “A Solidariedade é uma luz para todos nós,” diz ela.

Foi esse trabalho com pessoas mais velhas de baixa renda, gente que teve pouca oportunidade na vida, que atraiu a atenção do Conselho Nacional para Idosos de Nacionalidade Latina, uma instituição que atua em todo Estados Unidos prestando assistência a pessoas originárias de países da América Latina.

Luciano, morador e voluntário, planejava fazer um abaixo-assinado no bairro pedindo para a Ong permanecer. Foi desencorajado por Rosa

Agente de Mudança

Ao tomar conhecimento da homenagem dessa quinta-feira, Rosa Werneck reagiu assim: “Estamos super felizes e encantados, porque essa homenagem acaba sendo um prêmio pelo esforço de todos. Esse é um trabalho coletivo. Fiquei extremamente emocionada. Nunca imaginei que esse nosso trabalho receberia o reconhecimento de uma organização tão importante quanto a National Hispanic Council on Aging.”

Comandada pela presidente da organização, Dra. Yanira Cruz, a cerimônia começará às 20h, (e poderá ser assistida através desse link: fb.me/e/1emZLYYNP).. A foto de Rosa vai ser exibida na seção “Agentes de Mudança”, dedicada àqueles e àquelas que se distinguiram pelo seu trabalho em benefício de pessoas mais velhas carentes.,

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5 Comentários

  • Iza dos anjos ferreira Damasceno
    9 de dezembro de 2021, 11:57

    Deus continue abençoando este trabalho maravilhoso.matando a fome de muito gente……. parabéns

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  • Ana Cristina da Silva Barbosa
    9 de dezembro de 2021, 22:15

    Sou voluntária da ong solidariedade todos juntos sempre. Tenho muito orgulho de fazer parte desta linda família. Nosso trabalho é levar amor,carinho,alimemtos, para as pessoas que necessitam. Juntos somos mais!!! Amo, a ONG Solidariedade todos juntos sempre!! Sempre amarei!!!!

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  • Regina
    9 de dezembro de 2021, 22:24

    Parabéns , Para Rosa e para todos envolvidos, tenho orgulho de morar aqui na rua dos Werneck, Rosa é merecedora dessa homenagem.

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  • Rosa Werneck
    10 de dezembro de 2021, 04:52

    Maya muito obrigada por tudo! É um trabalho em equipe, isso sim dá certo. Bjs

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  • […] Organização internacional homenageia Rosa Werneck pelo seu trabalho social […]

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