Caminhão com 32 mil quilos de sal destrói parcialmente o Clube Icaraí e a casa vizinha

Caminhão com 32 mil quilos de sal destrói parcialmente o Clube Icaraí e a casa vizinha
Esta foto de Beto Mateus mostra bem os estragos causados ao Clube Icaraí pela carreta

Luzias

Mais um acidente na área central de Santa Luzia que, por pouco, não causa uma tragédia em termos de vidas humanas. Um caminhão carregado com 32 toneladas de sal para gado perdeu o freio, derrubou a mureta do Icaraí e destruiu parcialmente o clube que vinha sendo restaurado com a ajuda da comunidade desde 2018. O pesado veículo também atingiu em cheio a casa onde viviam Lupércio Xavier dos Reis, a irmã Auxiliadora e o filho dela, Douglas. O três estavam no local e só por milagre não foram atingidos, mas os danos na construção foram muitos. O motorista sofreu apenas arranhões.

Tanto o Icaraí como a casa foram interditados, depois da chegada do Corpo de Bombeiros e de funcionários da Defesa Civil. O temor é que as estruturas das duas edificações tenham sido abaladas. Os moradores tiveram que se alojar na casa de parentes. Até a noite,  parte da Rua Silva Jardim permanecia interditada ao trânsito. O enorme caminhão, pertencente à transportadora de cargas JSL, com sede na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, permanece no local. Ninguém soube informar quando será retirado.

Um grande susto

Segundo relatos, a colisão da carreta com a sede do clube provocou um estrondo tamanho, que moradores das imediações chegaram a passar mal, transtornados pelo susto. “Eu estava no quarto, quando vi a poeira invadindo a casa inteira. Meu sobrinho, no quarto ao lado, viu quando a carreta veio entrando. Gritei para que minha irmã corresse para o quintal,” conta Lupércio. Do lado de fora, contemplando a casa já interditada, ele dizia “foi um grande susto.” Tão grande quanto o inesperado estrondo, foram os danos, principalmente na sala de entrada e na garagem, onde o telhado veio abaixo.

A carreta, da Transportadora JSL, de São Paulo, já apresentava problemas pela manhã. Nenez Santana

No Icaraí, que já estava quase finalizando suas obras de restauração, a destruição também foi significativa. O muro, toda a fachada e parte da parede lateral do clube foram levados pelo veículo desgovernado.  Meire de Pinho, que compõe a diretoria do Icaraí, parecia resignada, depois de ver o trabalho duro de tantos anos jogado por terra. “Conversamos com o dono da transportadora e ele nos garantiu que vai pagar pelos estragos,” disse ela ao Luzias, completando em seguida: “Mas se precisar, começamos tudo outra vez, com a ajuda da comunidade.”

Desgovernado

A carreta da Transportadora JSL já apresentava problemas desde de manhã. Estava parada perto da Jamag, no Carmo. Depois, foi levada por um guincho. Na descida da Rua Silva Jardim, a coisa se complicou e o enorme veículo, pesando 32 mil quilos, saiu descontrolado.  O impacto causado fez com que parte da cabine da carreta fosse parar na sala da casa.  Ainda é cedo para avaliar o custo financeiro da reconstrução dos dois imóveis.  No entanto, os transtornos causados aos moradores, inclusive psicológicos, não podem ser mensurados. Teve gente que ficou em estado de choque.

Resta perguntar até quando a cidade vai suportar a total falta de fiscalização com as carretas, que trafegam tranquilamente pelas ruas estreitas e despreparadas para receber esse tipo de trânsito. Elas, sempre imensas, invadiram a cidade. Só no miolo mais central de Santa Luzia esse é o quarto acidente provocado por veículos desse tipo, um deles com danos ao patrimônio histórico.

Lupércio, um dos moradores da casa semi-destruída, contempla o cenário de horror. Foto: Beto Mateus

Problemas reais

Um caminhão perdeu o freio na subida do Vésper e voltou, levando tudo que encontrou; dias mais tarde, uma carreta subiu a Rua Direita e tentou virar em frente da igreja matriz, destruindo parte do casarão onde funciona a Casa da Cultura ( já fechada para restauração). Na rua Floriano Peixoto, um caminhão de mudança pegou fogo, colocando em risco as casas. E, há poucos dias, a ponte velha foi interditada por que havia um caminhão bi-trem enganchado na sua entrada, vindo do bairro São João Batista(Ponte). A Rua do Comércio, a principal do bairro e muito importante para a cidade, tornou-se ainda mais perigosa, porque virou passagem para caminhões de carga que, diariamente,  se dirigem ao porto seco, na Frimisa. Vão e vêm sem o menor controle. Até quando?

Santa Luzia precisa de uma Câmara Municipal mais atuante, mais atenta aos problemas reais que a cidade, crescendo desordenadamente, vem enfrentando.  Necessita muito também de uma Prefeitura mais sensível às questões que realmente afetam os moradores. A verdadeira luta deveria ser em  favor da população, ainda sofrendo com as consequências das chuvas de janeiro e esfolada pelos recentes aumentos abusivos das passagens de ônibus.

O vídeo mostra bem a destruição:

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