Salve a velha fazenda! É preciso união e luta para preservá-la na forma de parque

Salve a velha fazenda! É preciso união e luta para preservá-la na forma de parque
O terreno da antiga fazenda de Vicente Araújo é espetacular, com muitas árvores e nascentes, como essa. Foto: Salve Santa Luzia

Elisa Santana, Luzias

Estou  participando do movimento “Salve Santa Luzia”, que, para quem ainda não sabe, surgiu de um grupo de pessoas nascidas na cidade ou que aqui vieram morar movidos  pela necessidade de proteger a “antiga fazenda de Vicente Araújo” de predadores humanos. Ou melhor, da especulação imobiliária, permitida pelos poderes públicos e, certamente, de cidadãos que pretendem lucrar com o empreendimento. A velha fazenda, à beira do Rio das Velhas, é Importante pela vegetação nativa, pela história que guarda, pela sua localização e pelo que poderá vir a se transformar: o tão sonhado “Parque Vicente Araújo”.

A entrada da antiga fazenda, que teve um papel muito importante na cidade, permanece quase igual. Foto: Salve Santa Luzia

As ações do movimento nos últimos dias devem ter trazido inquietação para os donos do imóvel, para a responsável pelo empreendimento, a Emccamp Residencial, de BH, e para os poderes públicos, representados pelos conselhos municipais, pela própria Prefeitura e pela Câmara de vereadores. Nas reuniões em que o movimento esteve presente, presencialmente ou em lives, ficou claro, através de argumentações  técnicas, conscientes e bem colocadas por ambientalistas, jornalistas, artistas de várias áreas, gestores urbanos, advogados, professores, profissionais liberais e por várias pessoas presentes,  que faremos o que tiver ao nosso alcance para impedir  que “tratores” passem suas máquinas.

Covardes, protegidos pela sombra da noite, atearam fogo no terreno sucessivas vezes nas últimas semanas. Foto: Salve Santa Luzia

Querem aprovar centenas de casas e apartamentos em um lugar onde desejamos ver a mata nativa, bichos, plantas, árvores, flores, adultos e crianças desfrutando deste contato e todos os tipos de atividades que um parque possa oferecer. Além de trilhas e caminhos,  oficinas em todas as áreas, para todas as idades, vivências teatrais e musicais, concertos. As riquezas naturais que um parque  oferecem são infinitas. E tudo isso estaria à disposição da população, com pouquíssimas opções na cidade, quando se trata de áreas de lazer.

Ossada, possivelmente de alguma animal morto durante os incêndios criminosos, a nascente e os coqueiros Macaúbas. Foto: Salve Santa Luzia

Várias coisas me chamaram a atenção desde de que faço parte do movimento. Uma delas foi descobrir o despreparo mortal dos nossos representantes na Câmara. Poderia dizer que eles, na sua maioria,  foram insensíveis com relação   ao assunto. Pior: sequer tomaram conhecimento do projeto do mega loteamento, que teria enorme impacto na vida dos moradores. É deprimente escutá-los a cerca do que pensam ser progresso e do que acham que a cidade precisa. Aliás, eles não têm nem ouvidos e nem sensibilidade para saber o que o povo quer ou o que a cidade precisa. Não creio que deveriam estar ali, mesmo sabendo que foram eleitos pelo povo.

Manifestação, dentro da antiga fazenda, do movimento Salve Santa Luzia, pela criação do Parque Vicente Araújo . Foto: Salve Santa Luzia

Tem sido uma alegria, através do movimento, conhecer e (re)ver tanta gente da cidade, ou pessoas convidadas, interessantes e interessadas em nos esclarecer com suas experiências vindas de  movimentos similares dos quais participam. É uma festa ver e ouvir velhas histórias e  tanto saber obtido através do conhecimento de estudos e/ou experiências vividas por cada um dos participantes. Mulheres e homens que entenderam que a vida é, sobretudo, cuidados,  e estão empenhados em nos transmitir força, clareza e sabedoria para pensar o nosso movimento, para as ações a serem tomadas.

Vivemos outros tempos. A Terra  precisa ser ouvida. Ela está dizendo não à maneira com que o ser humano vem se portando até agora em relação à ela.  A terra tem espírito, está viva e os nossos ancestrais indígenas sabiam disto. Precisamos reaprender. Precisamos preservar, através de um parque, aquela área – é quase como se ouvíssemos dizer os espíritos da terra.  

É urgente recompor a mata ciliar do Rio das Velhas, completamente assoreado e maltratado de todas as formas. Foto: Salve Santa Luzia

Quem sabe, a gente aproveita e faz um projeto para cuidar  das margens do Rio das Velhas, plantando uma mata ciliar? Com toda a população envolvida. Fica a ideia.                                                                                             

As pessoas que se interessarem em conhecer ou participar do “Salve Santa Luzia” podem entrar em contato com Júnia Carvalho, através do WhatsApp 31-988855388, Ana Andrade: 31- 973327360    e  Ricardo Lima: 31-999572200.

Todos e todas serão muito bem-vindo(a)s!

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3 Comentários

  • Rosa Werneck
    1 de setembro de 2021, 18:46

    Parabéns, Lisa, você representa a mulher luziense!!!

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  • Nenez
    2 de setembro de 2021, 14:21

    Foi tudo dito!!!!!Não entende quem não quer!!!!

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  • Elzira Perpétua
    5 de setembro de 2021, 20:05

    Faço minhas as suas palavras, Lisa! É preciso lutar por uma cidade mais humanizada. Estamos juntas!

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