Terezinha Mateus, a grande luziense, parte para sua derradeira viagem, aos 95 anos

Terezinha Mateus, a grande luziense, parte para sua derradeira viagem, aos 95 anos
Terezinha Mateus, 95, passou mal em casa e foi levada para um hospital em Belo Horizonte, onde faleceu. Foto: Luzias

Luzias

Santa Luzia perdeu nesta terça-feira, 11 de janeiro, uma das figuras mais importantes e queridas da cidade. Terezinha Mateus partiu para a morada eterna nesta tarde, aos 95 anos, completados em setembro. Ela andava adoentada. Hoje, passou mal e foi levada para um hospital de Belo Horizonte, onde faleceu. É uma parte importante da história da cidade que se vai.

Além de educadora respeitada, Terezinha era uma mestra num tipo de bordado delicado conhecido como ‘bainha aberta’, feito a partir do tecido desfiado – cuja beleza está nos pontos de entremeios, vazados e recheios de linhas criando texturas incríveis. Ela nunca deixou a ‘bainha aberta’ de lado, que considerava a verdadeira paixão de sua vida – depois de Santa Rita de Cássia.

Numa das últimas vezes que estivemos em sua casa, ao lado da Igreja do Rosário, Terezinha gravou uma mensagem para o amigo Carlinhos Santana, com quem, durante muito tempo, frequentou e ajudou o Mosteiro de Macaúbas. Os dois assistiam à missa todo domingo, na bonita capela do Mosteiro. Ela tinha uma ligação muito forte com Macaúbas e com as irmãs, que passam por momento tão delicado, enfrentando as enchentes. A sua relação de amor e fé com o lugar fica muito evidente nesse trecho da mensagem endereçada ao amigo:

No Dia dos Professores, em outubro de 2020, o sobrinho Beto Mateus homenageou a tia que admirava tanto, lembrando a importância de Terezinha na área da educação em Santa Luzia, à qual dedicou mais de 40 anos, atuando, sobretudo, na área rural:

Terezinha dedicou mais de 40 anos à area da educação em Santa Luzia. Foto: Luzias

“A educadora Terezinha Mateus, com certeza, é um dos nomes mais lembrados na área rural de Santa Luzia pela carreira dedicada à educação dos luzienses. Filha de Luiz e Geny Mateus, Terezinha nasceu em Santa Luzia, no dia 9 de setembro de 1926. Uma das decanas da educação na cidade, Terezinha foi nomeada pelo prefeito José Sotero Diniz, em 1947, iniciando sua carreira de magistério na Prefeitura Municipal de Santa Luzia.

Dava aulas na comunidade de Bicas, onde criou uma relação de intensa amizade com os moradores da região, incluindo as famílias do povoado de José Correia. Para dar as aulas, Terezinha se valia da carona de quem ia para Belo Horizonte. Depois, lançou mão de uma bicicleta, que a ajudou no deslocamento até as salas de aula.

Conquistando a confiança das comunidades em que dava aulas e dos prefeitos, a partir de José Simões Filho e no primeiro mandato de Dr. Oswaldo Ferreira, Terezinha passou a coordenar a educação em nível municipal e, em especial, a acompanhar a instalação das salas de aula na zona rural. Para isso, contava com o apoio dos moradores que cediam salas de suas próprias residências para o funcionamento das turmas.

Terezinha fez especialização profissional sob orientação da educadora Helena Antipoff (1892-1974), na Fazenda do Rosário, em Ibirité. No local, eram ministrados os cursos de treinamento de professores rurais por meio do Instituto Superior de Educação Rural (ISER). Da relação entre a aluna e a mestra, surgiu o convite para a visita de D. Helena a Santa Luzia em 1969, para a inauguração da Escola Municipal José Luiz dos Reis, na comunidade do Barreiro do Amaral.

Aposentando-se em 1978, Terezinha continuou suas atividades na área da assistência social, colaborando na preparação de processos de aposentadoria dos moradores da área rural, dentre eles, as irmãs do Mosteiro de Macaúbas, onde tinha laços de amizade desde os anos 1940.

Outro espaço onde marcou sua atuação foi no Instituto São Jerônimo, em função de sua estreita amizade com Mariinha Moreira, responsável pela fundação das damas de caridade na cidade. Na semana dedicada aos profissionais da educação, o nosso aplauso e reconhecimento à carreira de Terezinha Mateus.”

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2 Comentários

  • Carlinhos Novy
    11 de janeiro de 2022, 21:36

    Parabéns, à Maya e ao Luzias pela excelente homenagem a esta pessoa que, realmente, foi um grande exemplo de dedicação à educação, à amizade, à religiosidade e ao carinho dedicado a todos que com ela conviveram. Principalmente no Carnaval, quando sua casa era transtornada em um verdadeiro Barracão da Escola de Samba Secos e Enxutos, comandada por seu filho Waguinho e harmonizada pelo seu outro filho Luiz Manoel, o Juca de Forquilha. Comoção imensa de seus conterrâneos! Parabéns ao Luzias!!!

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  • Vilmar cruz
    12 de janeiro de 2022, 21:04

    Sempre tive terezina com uma tia qdo novo eu e seus filhos davamos muito trabalho.mas dus que a yenha pois a sua parte vc fez aqui.e tenho certeza que seu lugar esta garantido junto a jesus
    Viva viva vc merece
    Um beijo a todos filhos

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