Bairro da Ponte pede socorro: o mato já tomou conta e o trânsito está caótico

Bairro da Ponte pede socorro:  o mato já tomou conta e o trânsito está caótico
Na Rua Felipe Gabrich, o mato dificulta a passagem dos moradores de um lado para outro

Luzias

Se os responsáveis pela administração de Santa Luzia se dessem ao trabalho de acessar as redes sociais, poderiam ter uma idéia do profundo descontentamento de boa parte dos luzienses, insatisfeitos com a forma como a cidade vem sendo (des)cuidada desde meados do ano passado, quando houve nova eleição para Prefeito. Naqueles dias de junho e julho de 2018, Santa Luzia respirava esperança, com a eleição de um candidato – mais de 50 mil de votos – que chegou a ser chamado de “Salvador”, depois de tantas administrações calamitosas, marcadas pela corrupção. Dez meses depois, o que se vê nas redes sociais são reclamações e muita indignação com a falta de ação da Prefeitura. Quer um exemplo? Os moradores da Ponte, ou São João Batista, estão denunciando há meses no Facebook que a Prefeitura se esqueceu do bairro: “Abandono” é a palavra que mais usam.

Sandra Gabrich: Como a Prefeitura não cumpre o dever – de manter a cidade limpa – os moradores da rua Felipe Gabrich viram-se obrigados a pagar pelo serviço. Afinal, paga-se IPTU para quê?

Na Felipe Gabrich, o matagal que cresceu ao longo da rua chegou a tal ponto que, depois de um incidente sério, os moradores se cotizaram para pagar trabalhadores que roçam o local. Na semana passada, uma senhora foi surpreendida com uma cobra descansando bem no meio do seu alpendre. Desesperada, gritou por ajuda. Rapazes que passavam entraram e recolheram a cobra, antes de matá-la do lado de fora. Com medo que o episódio se repita, até porque há crianças na área, os vizinhos se uniram e estão pagando pelo trabalho que deveria estar sendo feito pela Prefeitura. A vegetação alta tomou conta de toda a área que margeia a ferrovia, de uso da Vale. Na Câmara Municipal há quem diga que é a empresa na raiz do escândalo de Mariana e de Brumadinho a responsável pela limpeza da área.

“Não adianta reclamar”
A ex-secretária deEsportes, lazer e Turismo, professora Sandra Gabrich é uma das mais inconformadas com a situação de abandono do bairro. A página de Sandra no Facebook reflete a aflição dela: “O mato que toma conta da área próxima à Estação Ferroviária está tão alto que passar ali está impraticável. Além das cobras que tem aparecido, há focos de mosquitos”, escreve, contando que já cansou de solicitar o serviço de limpeza, mas seus pedidos são ignorados. E prossegue: “Um vereador me informou que a limpeza seria retomada no dia 15/04. Só esqueceu de falar de qual ano.” Sandra termina expressando um pensando que é o mesmo de todos os moradores do bairro: “ Se não cabe à prefeitura a responsabilidade pelo serviço, que exija da empresa responsável que o faça.”

Veja o estado em que está a Rua Rio das Velhas. Foto: Carlos Dias Barbosa

As denúncias de Sandra no Facebook recebem muitos comentários de moradores de outras partes da cidade, todos apoiando as palavras da Professora. “tá uma vergonha… mato tá geral. enfrentar o trânsito com tantos matos dificultando a visão, tá uma verdadeira batalha”, descreveu um. “Mato e lixo por aí, aos montes… perdi a conta de quantos potes e copos descartáveis vi pela Av. Raul Teixeira da Costa Sobrinho durante a caminhada de hoje. Se lá, que é a principal avenida da parte alta tá desse jeito, imagine as outras…” afirma essa moradora. Um terceiro chama de “vergonhosa a omissão do poder público.” E, para citar
só mais uma: “A cidade está toda suja e não adianta reclamar, passam em cima da sujeira fingindo não ver.”

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“Uma decepção”
Como outros bairros da cidade, o São João Batista também sofre com o trânsito intenso e desorganizado, por falta de uma sinalização decente. Basta reparar nas ruas do Comércio, Rio das Velhas e na perigosíssima Alto do Tanque, que dá acesso a Bicas, com um volume excessivo de veículos, o que faz com que o morador da área tenha que esperar muito pela oportunidade de cruzar a rua. As faixas de pedestres se apagaram e outras sinalizações sumiram do asfalto. Os responsáveis pelo trânsito nem notaram. E o vai e volta de veículos pesados continua atormentando os que vivem ali. “Não consigo vislumbrar boa vontade e competência dessa Prefeitura. Total decepção,” confessa Sandra.

Desesperados, alguns moradores pioram a situação ateando fogo ao mato crescido

Em agosto do ano passado, um mês após ser empossado, o Prefeito Christiano Xavier comunicou à população que precisava de 120 dias para organizar “o caos” que encontrou. Estamos fechando a Prefeitura para balanço, disse ele, que decretou estado de “calamidade financeira” no município. Esperava-se que, ao final de quatro meses, em dezembro de 2018, Christiano Xavier viesse a público com um plano do que teria condições de fazer na cidade, já que seu mandato termina no ano que vem.Ele não se manifestou. Dezembro passou e veio 2019. Menos de 10 meses depois da posse, muitos luzienses se perguntam: O que aconteceu? O Prefeito desistiu de Santa Luzia?

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