Patrimônio histórico de mais de 300 anos, o Mosteiro de Macaúbas precisa de ajuda

Patrimônio histórico de mais de 300 anos, o Mosteiro de Macaúbas precisa de ajuda
As irmãs que vivem em recolhimento no Mosteiro fabricam vinhos de rosa e de jabuticaba

Luzias

Nessa reportagem de Arnaldo Silva, do site Conheça Minas, sobre o tricentenário Mosteiro de Macaúbas, ele conta a história dessa preciosidade arquitetônica, cuja construção foi iniciada em 1714. O autor da reportagem só não se detém sobre os gravíssimos problemas enfrentados pelas 16 irmãs que vivem em recolhimento na construção de 200 cômodos. Cupins estão atacando todas as partes de madeira, destruindo inclusive detalhes de imagens de santos. E a fiação elétrica muito antiga deixa apreensivos todos os que se interessam por história. No vídeo abaixo, você vai saber mais sobre a atual situação do Mosteiro, que desde 2017 vem fazendo campanha, pedindo doações para levar adiante as obras que tanto precisa.

Leia:

O Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, ou simplesmente convento ou mosteiro de Macaúbas, está localizado na rodovia MG 020, km 37,5 que liga Santa Luzia ao município de Jaboticatubas, a 12 km do Centro Histórico de Santa Luzia e a 40 km de Belo Horizonte.

O imponente casarão do século XVIII conta com 200 cômodos, mobiliário, capela e detalhes do período Colonial brasileiro. O silêncio do local é apenas quebrado pelo canto dos pássaros e os cânticos em latim e orações das freiras que vivem no convento.

São 16 freiras da Ordem da Imaculada Conceição. Elas vivem em regime completo de clausura, saindo apenas em ocasiões necessárias, como por exemplo, problemas familiares ou de saúde.

Entrar no templo não é permitido. As freiras vivem numa rotina rigorosa. Acordam todos os dias antes às 5 da manhã e se deitam às 20h30min. Fazem pelo menos 10 orações diárias com horários pré-determinados. Quando não estão orando, estudam ou meditam e trabalham nos afazeres no interior do convento e na produção dos produtos culinários.

Vista da imponente construcão do século XVIII – Foto: Carlos Magno de Almeida

Sua construção começou em 1714, por Félix da Costa para ser uma casa de recolhimento religioso e educandário feminino. A obra foi concluída em 1770.

Este foi o primeiro educandário feminino do Brasil. Pelo convento passaram filhas das mais ricas famílias do Brasil e de personagens ilustres de nossa história como, por exemplo, Joaquina, a filha de Tiradentes. Também as nove filhas do Contratador João Fernandes de Oliveira, marido de Chica da Silva estudara no local. A casa em que o Chica da Silva e seu marido ficavam, quando iam visitar suas filhas, ainda existe. Fica ao lado do Convento. O próprio João Fernandes, a título de dote pelo acolhimento de suas filhas, entre 1767 e 1768 ampliou o local, mandando construir a Ala do Serro, com mirante e 10 celas (quartos para religiosos).

Mas o convento não abrigava apenas filhas da elite brasileira da época. Recebiam e davam abrigo a meninas e mulheres órfãs, pensionistas e devotas. Recebiam também mulheres que optavam em ficar por algum tempo no convento para guardar a honra, enquanto os pais ou maridos viajavam. O convento acolheu também várias mulheres, que para lá fugiram do preconceito e discriminação social por terem sido desonradas.

Devido sua importância passou a ser protegido da rainha de Portugal, Dona Maria I, por Carta Régia. Quase um século depois, em 1881, o Imperador Dom Pedro II, que estava de viagem à Minas Gerais, fez questão de visitar o colégio. Em 1847, o convento passou a funcionar como colégio, se tornando uma das mais tradicionais escolas de Minas Gerais.

Dia a dia e trabalho

Um dos altares da capela do convento, na foto de autoria de Thelmo Lins

Quando não estão orando ou estudando, as freiras trabalham e muito. É do trabalho das freiras e doações que vem o sustento e manutenção do convento.

No interior do Mosteiro elas produzem e vendem licores, doces, quitandas e o famoso vinho de rosas. No século XVII, médicos da época recomendavam este vinho para curar problemas do pulmão.

As paredes do convento guardam as receitas das quitandas, licores e do vinho de rosas desde o século XVIII. A técnica usada pelas freiras são as mesmas de 300 anos atrás, não mudaram nada no modo de fazer. É totalmente artesanal.

Elas guardam com zelo cada receita e fazem com um imenso carinho, preservando uma das mais fortes culturas gastronômicas de Minas Gerais.

A paisagem nos arredores do Mosteiro. Foto: Thelmo Lins

O vinho que inspirou o filme
A tradição gastronômica e a história do convento, principalmente o vinho de rosas, virou filme em 2005, chamado de O vinho de rosas. Dirigido por Elza Cataldo, o longa metragem retrata a vida de Joaquina, filha de Tiradentes, criada num convento. Na história, Joaquina descobre que é filha de Tiradentes e que sua mãe, ainda estava viva. Aos 18 anos, deixa o convento e sai em busca de sua história e seu passado.

Veja os problemas do Mosteiro neste trecho de uma reportagem da TV Globo, em 2018:

Como comprar os produtos e ajudar o Mosteiro de Macaúbas
A manutenção dos trabalhos, do imóvel e atividades das freiras enclausuradas, vem das vendas dos produtos feitos pelas irmãs e de doações. Quem quiser adquirir os produtores da culinária do Mosteiro de Macaúbas, podem entrar ir diretamente ao local ou entrar em contato pelos telefones (31) 3684-2096/9612-1773.

Os interessados em ajudar nos gastos com manutenção e reformas dessa preciosidade histórica Mosteiro de Macaúbas podem fazer o depósito na Caixa Econômica Federal em nome do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição Macaúbas, agência: 1066, operação 013, conta poupança: 75.403/4 e CNPJ: 19.538.388/0001-07.

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