Muita emoção na visita da Rainha Diambi Kabatusuila ao Mosteiro de Macaúbas

Muita emoção na visita da Rainha Diambi Kabatusuila ao Mosteiro de Macaúbas
Rainha Diambi Kabatusuila Mukalenga Mukaji de Nkashama no Mosteiro: sempre sorrindo

Luzias

Quando as portas da Capela principal do Mosteiro de Macaúbas se abriram para a entrada da rainha Diambi Kabatusuila Mukalenga Mukaji de Nkashama, muitos se emocionaram e acompanharam com atenção a reverência da soberana africana à fé cristã professada no mais antigo dos santuários de Minas Gerais. Os olhares de fé se entrecruzaram quando a rainha Diambi se voltou para o Coro Baixo onde as monjas concepcionistas a aguardavam com carinho e alegria para ouvir as palavras da jovem rainha, que se interessou em conhecer Macaúbas na sua rápida passagem por Minas Gerais.

A rainha segurando as mãos da madre Maria Imaculada de Jesus Hóstia. Ela fez o mesmo com todas as outras irmãs. Foto: Marcos Ikeda

Em apenas três dias, Diambi Kabatusuila, soberana do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu, teve que cumprir vários compromissos em Belo Horizonte e em Santa Luzia. Na conversa que manteve com o Luzias, depois de recepcionada pelas irmãs, a soberana explicou que entende português, mas não fala a nossa língua. Em inglês, contou que já esteve no Brasil. Mas é a primeira vez que vem como rainha. Disse que ficou encantada com o tratamento que recebeu na Bahia, onde esteve durante quatro dias e foi coroada rainha dos descendentes dos bantus de lá. Sua missão, ela afirmou, é trazer paz e reforçar laços com povos irmãos. “Aqui, nesse Mosteiro, me sinto entre meu povo”, disse, ostentando o tempo todo o semblante de contentamento.

A rainha e Mãe Glória, ao centro, junto com outros membros da Casa de Cultura Lode Apara, no interior da capela

Tolerância religiosa
No Mosteiro de Macaúbas, no terceiro e último dia,foram vividos momentos especiais de respeito mútuo entre pessoas que professam a sua fé em diferentes crenças. A tolerância religiosa, constantemente desafiada em diferentes pontos do Brasil, – e aqui lembramos os constantes ataques sofridos pelas religiões de matriz africana nos últimos tempos – teve na manhã de hoje um de seus mais belos exercícios.

Ao lado do Pai Geraldo e da Mãe Glória, líderes da Casa de Cultura Lode Apara, a rainha africana, que exerce seu governo em parte do antigo Império Luba, na República Democrática do Congo, pode ouvir as palavras acolhedoras da madre Maria Imaculada de Jesus Hóstia. Em seguida, a madre pediu a todos os presentes que fossem rezados um Pai Nosso e uma Ave Maria em intenção dos trabalhos realizados pela rainha em prol de seu povo.Em retribuição, visivelmente emocionada, a rainha Diambi disse que a maior certeza de como aquele momento lhe era especial estava estampado nas expressões de enlevo das monjas que foram ao seu encontro.

Pai Geraldo, figura importante da da Casa de Cultura Lode Apara – Foto: Marcos Ikeda

Troca de presentes
Para reafirmar as demonstrações de carinho, as irmãs entregaram a Medalha do Tricentenário, de forma que a rainha passa a ser a guardiã da história do Mosteiro. Receberam em retribuição uma pulseira típica do Congo. Antes do encerramento, foi apresentada uma placa registrando a visita que, segundo as irmãs, homenageia “os povos africanos que participaram da história do antigo Recolhimento de Macaúbas”.

Após um lanche servido pelas irmãs, a rainha Diambi conheceu parte da Ala do Serro, construída pela família da escrava alforriada Francisca da Silva de Oliveira – Chica da Silva – e seu marido, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. A Ala do Serro foi erguida à esquerda do prédio principal como parte do dote das nove filhas do casal que foram educadas no antigo recolhimento.

Mãe Glória, à esquerda, com os sacerdotes Alexandre, Ana Carolina e Bruno

Uma visita especial
A visita da rainha africana a Minas Gerais, que é um dos estados sob maior influência da cultura Bantu no Brasil, está sendo possível graças ao empenho da Casa de Cultura Lode Apara, espaço situado no bairro Duquesa 1, em Santa Luzia. A Casa é dedicada à manutenção da cultura, costumes e festividades dos povos Bantu, vindos de países do centro-sul do continente africano, como Angola, Congo e Moçambique.

A vereadora Suzane entregou camiseta alusiva ao Dia Internacional das Mulheres

Santa Luzia também deve agradecer a vinda da rainha africana é a vereadora Suzane Duarte. Mãe Glória contou ao Luzias que a Casa de Cultura Lode Apara tentou de todas as formas que a Prefeitura e a Câmara Municipal ajudassem, principalmente com hospedagem para a soberana e os membros de sua comitiva, mas não teve qualquer apoio. Na recepção à rainha no Mosteiro de Macaúbas, o único representante da Prefeitura era o superintendente de Cultura, Tádson Gonçalves Mendes. Além de Suzane, outros dois vereadores compareceram ao Mosteiro: José Cláudio e César Lara Diniz.

A soberana com os vereadores César Lara Diniz, Suzane e José Claudio

Mestre em Psicologia Aplicada
A Rainha Diambi é mestre em Psicologia Aplicada e em Aconselhamento em Saúde Mental, e também doutora em Direito e em Filosofia. Em 31 de agosto de 2016, foi coroada como governante do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu da região central de Kasaï, parte do antigo Império Luba na República Democrática do Congo. Agora, detém o título de Diambi Mukalenga Mukaji Wa Nkashama (Rainha da Ordem do Leopardo). Ela foi investida e introduzida em Kinshasa pela Associação de Autoridades Tradicionais e Consuetudinárias do Congo em 2017.

Veja o vídeo com um trecho da oração:

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3 Comentários

  • Wagner Dias Ferreira
    9 de março de 2019, 08:32

    Obrigado ao Luzias pela noticia. E pelo reforço no enraizamento cultural que fornece vigor a nossa identidade hoje.

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  • Márcia Maria Duarte dos Márcia Santos
    10 de março de 2019, 08:27

    Obrigada pela notícia! Ainda bem que quem não esteve presente pode ter acesso reportagem. Muito bem feita!

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