Santa Luzia dá adeus a três figuras queridas: Raquel, Aparecida e Vicente

Santa Luzia dá adeus a três figuras queridas: Raquel, Aparecida e Vicente
O tão querido Vicente de Paula completaria 101 anos no mês que vem, em 29 de julho

Luzias

Está sendo uma semana difícil para os luzienses. Nos últimos dias, se despediram de três das figuras mais queridas da cidade: Raquel Lima Marcelino, irmã de Rafaela e Andréia, Aparecida de Zeca Paula, falecida repentinamente, e hoje, terça-feira, 18 de junho, chega a notícia da morte de Vicente de Paula, pouco mais de um mês antes de completar seus 101 anos de vida. O corpo está sendo velado no Carmo e o enterro será às 17h.

Santa Luzia chora a perda dos três, porque foram pessoas que viveram uma vida inteira para o bem e a marca de sua bondade. Raquel, viúva de José Marcelino, deixa dois filhos, Vaninha e Nonô. Há poucos dias, Aparecida estava muito bem, quando participou ativamente da reunião para a reabertura do Clube Social Luzienze. Ninguém diria que a perderíamos tão cedo. Raquel foi enterrada no cemitério do Belo Vale e Aparecida, no cemitério do Carmo.

Aparecida ao lado da filha, Renata, do neto, João Marcos, e do bisneto, Kauã

Vicente completaria 101 anos em julho
Vicente de Paula, homem amável, sem inimigos, morreu nesta madrugada, em um hospital em Belo Horizonte. No ano passado, quando completou um século de existência, o Luzias publicou este artigo:

“Quando fui à casa de Vicente, há poucos dias, eu o encontrei no lugar que mais gosta de ficar: sentado na cadeira, à sombra de uma árvore, no terreiro da casa, na Rua Silva Jardim, perto do Icaraí, onde viveu uma vida inteira com sua querida Lilia – Maria de Barros. Quando me viu, acompanhada do fotógrafo Heli Lara Lima, abriu um sorriso: “Você é filha de Duca, né?” Foi a sua saudação. Mostrando que, chegando aos 100 anos de vida, neste domingo, dia 29, sua memória permanece firme. Não o via já há um bom tempo. Pergunto se ele está bem, e a resposta vem logo: “Tô bem. O mundo tá bom. Quem fala que tá ruim é porque não sabe viver.”

Vicente é dessas pessoas que todo mundo gosta, porque tem, e sempre teve, uma aura de paz, de quem está em contato consigo mesmo. Transmite paciência e bondade. Nasceu em 1918, quando o mundo assistia ao desenrolar da Primeira Guerra Mundial(28 de jul de 1914 – 11 de nov de 1918), que terminaria no mesmo ano, quatro meses depois de seu nascimento. Santa Luzia era um vilarejo. Ele cresceu ali e, antes de casar-se com Lilia, com quem teve sete filhos – Antônio, Francisco, José do Patrocínio, Maria Assunção(Nininha), Carlos Santana, Vicente e Messias -, por pouco não foi combater na Itália, para onde o Brasil enviou soldados, que lutaram contra forças italianas e alemãs, durante a Segunda Guerra Mundial. Vicente, então com 20 e poucos anos, havia servido o exército em 1940. E chegou a ser convocado para ir lutar na guerra. Mas já era final de 1944. O conflito aproximava-se do fim – terminou na Europa em maio de 1945. Felizmente,ele não precisou ir.

Vicente fotografado por Heli Lara Lima no terreiro casa, perto do Icaraí

Casou-se, criou seus filhos e aposentou-se como ferroviário. Há até poucos anos, ia todos os sábados à missa celebrada às 10h, na capela do Hospital de São João de Deus. Hoje, ainda caminhando, mas com certa dificuldade, senta-se no terreiro, nos fundos da casa, e fica ali. Às vezes, como conta Messias, “ele pega o serrote e fica serrando madeira.” Mas a maior parte do tempo, passa conversando com um e outro ou simplesmente contemplando o seu redor. Cercado de todos os cuidados pelos filhos, principalmente Nininha, o centenário Vicente vive num mundo “bom”, protegido das agruras aqui de fora. Completar um século de vida com saúde, lucidez e de bem com a vida é só para os iluminados.

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