Ex-vereador lança livro com “Um pouco da história do distrito de São Benedito”

Ex-vereador lança livro com “Um pouco da história  do distrito de São Benedito”
Divisa do Cristina com o Palmital, parte do distrito de São Benedito, que abriga hoje quase 70% da população de Santa Luzia. Foto: Fernando de Castro

Luzias

Escrever um livro contando a história de São Benedito, desde a criação do bairro, em 1954, passando por sua elevação a distrito, em 1962, até os dias atuais, foi a forma que o ex-vereador Fernando de Castro Machado encontrou “de preservar a memória da região e agradecer a Santa Luzia por tudo que me deu.”

“Um pouco da história do Distrito de São Benedito,” que acaba de sair da gráfica, é uma obra de enorme importância por ser a primeira a contar a história real dessa poderosa área, formada por vários bairros, onde estão concentrados quase 70% dos moradores de Santa Luzia. O autor quer que todas as escolas da cidade tenham um exemplar do seu trabalho.

José Pereira de Magalhães, Zé do Rádio, primeiro vereador eleito em São Benedito, com a esposa, Dona Florípedes

Por que o conjunto Cristina tem esse nome
No livro, com detalhes de cada aspecto do passado de São Benedito, Fernando de Castro desfaz alguns equívocos, que acabaram se incorporando à história oficial. Um deles é a data de inauguração do Conjunto Cristina. Não foi em julho de 1981, como consta de documentos da própria Cohab, Companhia de Habitação de Minas Gerais. E sim em novembro daquele ano, como mostram jornais da época, pesquisados por Fernando na Biblioteca Municipal de Belo Horizonte.

Sobre o Cristina, anunciado na época de sua construção como o maior conjunto habitacional da América Latina, ele conta que o nome dado ao empreendimento foi uma homenagem da Cohab à Cristina Lara, esposa de Juca Maria Lara, proprietários da Fazenda São José, popularmente conhecida como Fazenda Bananal, onde foi edificado o Cristina.

A inauguração daquele conjunto habitacional gigante, erguido para abrigar vítimas de enchentes de outras áreas da Grande BH, foi um evento de tamanha importância que, além do Prefeito Antônio Teixeira da Costa (Bilé),  do Prefeito de BH,  Maurício Campos, dos deputados Carlos Eloy, Crispin Jacques Bias Fortes e Fagundes Neto, estiveram presentes o governador Francelino Pereira e o coronel Mário Andreazza, ministro do Interior do governo do general João Figueiredo, último presidente do regime militar (1964-1985).

A primeira escola da São Benedito
Fernando de Castro constatou uma outra incorreção registrada muito antes do erro em relação à data de inauguração do Cristina. Ao contrário do que está escrito em documentos oficiais, a primeira escola de São Benedito não foi o anexo à Escola Municipal Rural Gervásio Lara.

A casa de Juca Bispo, onde funcionou a primeira escola de São Benedito, criada em 1958

A primeira escola de São Benedito – de primeira à quarta série – foi criada graças ao empenho de José Santana (Duca de Pinha) e Hélton Guimarães Werneck, nosso querido Werneck, ambos exercendo mandato de vereador. E ainda de Juca Bispo, um dos primeiros moradores de São Bené.

Os três, sensibilizados com o fato de a região ainda não ter uma escola sequer, embora tantas famílias já morassem lá (para estudar, as crianças tinham que se deslocar para a área central da cidade ou para Venda Nova), procuraram o então Prefeito Antônio Roberto de Almeida (o inesquecível Ninico). O Prefeito explicou que não havia dinheiro em caixa para a construção de uma escola.

Vereadores Helton Guimarães Werneck e José Santana

O surgimento do Palmital
Eles não desanimaram. E Juca Bispo teve a iluminada ideia de ceder a própria casa (ele foi morar numa fazenda ali perto), para servir de escola. Assim nasceu o primeiro educandário em São Benedito, na Avenida Senhor do Bonfim, 631. Essa bonita história se deu em 1958. Um ano depois, em 1959, Ninico assinou a Lei Municipal 245, criando a sonhada escola, o anexo da Gervásio Lara, na Rua Paraná.

Toda aquela região, constituída de várias e extensas fazendas, pertencia à família Lara que, aos poucos, foi vendendo tudo para a Cohab. A Fazenda Palmital foi uma delas. Em seu lugar surgiu o bairro Maria Antonieta Melo de Azevedo, conhecido pelos moradores como Palmital.

Fernando de Castro conta que muita gente acha que Dona Maria Antonieta tinha uma fazenda ali e chegou a morar lá. Essa é outra informação que ele corrige. “Ela nunca morou em Santa Luzia. O nome foi uma homenagem da Cohab à mãe do Prefeito de BH na época, Celso Mello de Azevedo. Não tem nada a ver com a cidade.”

A placa de inauguração do conjunto Cristina sendo descerrada pelo ministro do Interior, coronel Mário Andreazza, ao lado do governador Francelino Pereira e do deputado Carlos Eloy

Sobre o autor
São muitas as histórias interessantes e importantes relatadas ao longo das 136 páginas do livro que, num primeiro momento, como esclarece o autor, será doado a moradores, pessoas que contribuíram para sua produção e às bibliotecas das escolas de Santa Luzia.

Fernando de Castro Machado, que pagou a obra de seu próprio bolso, nem era nascido quando o seu pai comprou um lote em São Benedito, em 1954. Ele nasceu em BH, mas cresceu e passou toda sua vida em São Bené. Formado em biblioteconomia pela UFMG, foi diretor de Divulgação e Consulta do Arquivo Mineiro. Mais tarde, elegeu-se vereador pelo distrito, sendo reeleito outras três vezes consecutivas.

Fernando de Castro Machado, autor do livro,  foi vereador durante quatro mandatos consecutivos

“Só tenho a agradecer a Santa Luzia”, afirma ele, completando: “Achei que a melhor maneira de agradecer à cidade é garantindo, através desse livro, a preservação de parte de sua história.”

 

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6 Comentários

  • Erlita Barcellos
    20 de dezembro de 2020, 09:29

    O livro uma realização de um sonho ,pautado em carinho e dedicação ,ao bairro que o acolheu por toda sua vida ,ainda ajudou em seus mandatos ,e ainda mora no mesmo .Com seu olhar ,descreveu e conta a linda estória São Benedito ,uma obra pra ficar na memória de todos que conhecem São Bené

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  • João Carlos de Aguiar
    20 de dezembro de 2020, 13:08

    É interessantíssimo pra nós conhecermos a história do nosso bairro.
    Só temos que agradecer e parabenizar ao nosso amigo Fernando de Castro pela brilhante idéia.

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  • João Ribeiro de Araújo filho
    20 de dezembro de 2020, 13:08

    Adorei meu pai deve constar nesse livro foi uns dos primeiros moradores de São Benedito

    RESPONDA
  • João Carlos de Aguiar
    20 de dezembro de 2020, 13:12

    É interessantíssimo pra nós conhecermos a história do nosso bairro.
    Só temos que agradecer e parabenizar ao nosso amigo Fernando de Castro pela brilhante idéia.

    RESPONDA
  • Heberton Lopes
    20 de dezembro de 2020, 20:24

    Olá, gostaria de comprar um exemplar do livro. Como consigo ter acesso?

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