Digitalizado, jornal luziense fundado há mais de um século já pode ser acessado

Digitalizado, jornal luziense fundado há mais de um século já pode ser acessado
O Luziense circulou na cidade de fevereiro de 1915 a abril de 1916. Foto: Marcos Ikeda

Luzias

Um período importante da história da cidade já está ao alcance de todos, em qualquer lugar do mundo, em meio digital. A Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia anuncia a disponibilização, em uma plataforma digital, do acervo do jornal O Luziense, periódico lançado em Santa Luzia há 105 anos, em 28 de fevereiro de 1915.

O jornal foi fundado pelo pároco da Paróquia Santa Luzia Antônio Thomaz de Castro e registrava os fatos sociais, econômicos, religiosos, literários, culturais e políticos da cidade. “A leitura do jornal nos esclarece fatos interessantes como as obras de restauração da matriz, o movimento financeiro da estação ferroviária de Santa Luzia e, inclusive, o registro do falecimento do maestro Benício Augusto Moreira, fundador da primeira banda de música da cidade”, destaca o presidente da Associação Cultural Comunitária, Beto Mateus, que comemora essa conquista no mês de fundação do jornal.

Padre Antônio Thomaz de Castro, diretor e redator d’O Luziense. Foto: Acervo da família

De fevereiro de 1915 a abril de 1916 – O acervo do periódico, composto por 41 exemplares publicados entre fevereiro de 1915 e abril de 1916, foi adquirido pela Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia no final da década de 1990. A ação se deveu ao empenho da então vice-presidente da entidade, Beatriz de Almeida Teixeira, que os adquiriu da sobrinha neta do padre Antônio Thomaz, a psicóloga Maria do Carmo de Castro Tófani. Os jornais foram então encaminhados para o Museu Histórico Aurélio Dolabella, onde ficaram guardados durante anos, sem serem disponibilizados para pesquisas devido a sua fragilidade.

Em agosto de 2018, durante uma visita técnica que preparava uma exposição sobre a Revolução Liberal de 1842, membros da Associação Cultural, do Ministério Público de Santa Luzia e da Prefeitura Municipal encontraram os exemplares, que foram submetidos a um processo de higienização pela restauradora da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Santa Luzia, Maria Clara Assis, e encaminhado ao Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte.

Promotor Marcos Paulo abraça Marcia Alkimim, responsável pela digitalização do acervo do jornal luziense. Foto: Marcos Ikeda

Acervo Digitalizado – No ano passado, numa articulação das entidades citadas e da Associação Cultural do Arquivo Público Mineiro, todo o acervo do periódico foi digitalizado sob patrocínio da Associação Cultural Comunitária. A digitalização foi anunciada no Solar da Baronesa no dia 02 de junho, durante a solenidade que marcou os 140 anos de falecimento da baronesa de Santa Luzia.

Para o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, um dos incentivadores da iniciativa, o periódico constitui “uma importante fonte de informações e curiosidades sobre a história de Santa Luzia nos primeiros anos do século XX”, que agora podem ser amplamente consultadas.

Jornalista resgata título – De acordo com Maria do Carmo de Castro Tofani, o padre Antônio Thomaz de Castro, seu tio-avô, nasceu na cidade de Congonhas do Campo/MG. Após a sua ordenação, auxiliou os trabalhos pastorais em sua cidade natal e no município de Carandaí, de onde foi transferido para Santa Luzia. Uma de suas grandes ações na cidade foram registradas pelo jornal por ele fundado. Estando a Igreja Matriz em precário estado de conservação, o pároco lançou uma grande campanha para angariar recursos para realizar as necessárias intervenções para a manutenção do templo.

O presidente da Associação Cultural Comunitária Beto Mateus e o promotor Marcos Paulo durante a apresentação da digitalização do jornal em junho de 2019. Foto: Marcos Ikeda

Além de dirigir “O Luziense”, padre Antônio Thomaz de Castro também era responsável pela redação do conteúdo, marcado por forte influência católica. Ele faleceu por complicações cardíacas em 1945, sendo sepultado no Cemitério do Carmo.

Nos anos de 1970, o jornalista Antônio Tibúrcio Henriques resgatou o título, criando um jornal que foi publicado até a primeira década dos anos 2000.

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