Moradores de Santa Luzia reclamam das barracas que tapam a fachada do casario

Moradores de Santa Luzia reclamam das barracas que tapam a fachada do casario
A fachada da casa de Niuza, perto do Santuário, ficou escondida atrás das barracas - Foto: Kátia Viana

Luzias

Às vésperas da chegada de milhares de romeiros, turistas e visitantes para a principal festa da cidade, nesta quinta-feira, 13 de dezembro, moradores de Santa Luzia não se conformam e protestam nas redes sociais pela forma como foram dispostas as barracas do jubileu de Santa Luzia nas imediações do santuário, descaracterizando o principal cartão postal da cidade.

Alguns moradores da Rua Direita, no trecho compreendido entre o solar da Baronesa e a Escola Municipal Modestino Gonçalves, também estão inconformados, lamentando o fato de, pela primeira vez, não poderem ver das janelas de suas casas o cortejo levando a imagem de Santa Luzia, na tradicional procissão que encerra as comemorações do dia da padroeira. “Em 48 anos morando aqui nunca vi isso”, queixa-se Niuza dos Santos Oliveira, moradora do casarão em frente da Escola Municipal, cuja fachada foi tapada pelas barracas.

O que Niuza e outros moradores, como Nadeje Lima dos Santos, não entendem é por que ninguém “veio conversar conosco. “ Segundo elas, sempre que vai haver alguma coisa na Rua Direita, “vêm falar com a gente.” Como ninguém avisou nada, “tivemos essa surpresa desagradável. Isso aqui está parecendo um shopping.”

As barracas, que deveriam ser discretas para mostrar o bonito casario, tomaram conta de tudo – Foto: Kátia Viana

Explicação
A reportagem do Luzias foi procurar uma das responsáveis pela organização externa da Festa de Santa Luzia, Sandra Fonseca. Ela explicou que , até o ano passado, as barracas vinham sendo montadas na Avenida Raul Teixeira da Costa. Mas, por ser um lugar amplo e aberto, acabou atraindo violência e, antes que algo mais sério acontecesse, ficou decidido que as barracas seriam retiradas de lá. Com as bênçãos de Padre Danil, antecessor de Padre Felipe Lemos à frente do Santuário, foi apresentado um projeto ao Ministério Público, que, segundo Sandra, recebeu o apóio da arquidiocese, da Política Militar e da Polícia Civil.

“As pessoas têm o direito de reclamar, mas não tínhamos outro lugar”, disse ela, esclarecendo que está sendo feito todo o possível para não incomodar os moradores. Mas ela própria reconhece que a colocação das barracas na Rua Direita “tem um impacto muito grande.” Sandra acha que é preciso uma ampla discussão para ver onde as barracas devem ser colocadas ou se “se elimina de vez” as barracas da festa de Santa Luzia.

O Santuário ao fundo e as barracas instalados do lado direito da rua – Foto: Carlos Dias

Patrimônio Histórico
A história das chamadas “barraquinhas da festa de Santa Luzia” já teve vários capítulos na cidade. Em período mais recente, no início dos anos 2000, todas foram transferidas para a avenida Raul Teixeira da Costa e adjacências, para garantir maior espaço aos barraqueiros e tranquilidade na rota dos romeiros que circulam nas imediações do Santuário. Assim, as ruas ficaram livres para o trânsito de pedestres e circulação de carros dos serviços de saúde e segurança em casos de emergência. Mas, agora, as barracas estão de volta.

Além de não ter a ciência dos moradores, ao que parece, a intervenção também não teve a aprovação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), responsável pelo tombamento do centro histórico desde 1998. “O que mais nos estranhou é que as históricas casas que ficam no trajeto da procissão fazem parte dessa manifestação cultural, a mais importante da cidade. A nossa sensação é a de que faltou bom senso, respeito aos moradores e diálogo na festa que é a própria identidade da cidade”, afirma o presidente da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, Adalberto Mateus.

Moradores ficaram atrás das enormes barracas, impróprias para a Rua Direita. Foto: Rodrigo Martins

Para ele, as opções teriam que ter sido estudadas e avaliadas com moradores e de forma técnica também: “Não se trata de um cenário ou de moradores que não poderão enfeitar as suas janelas”, disse o presidente da ACCSL, acrescentando: “A intervenção, mesmo que temporária, agride um espaço protegido, rompe com tradições centenárias, como é o caso das bandeiras vermelhas que são afixadas nas fachadas desde o final do mês de novembro. A festa de Santa Luzia é uma celebração coletiva.”

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