Anna Marina, 60 anos de profissão: o estilo único de uma jornalista única

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  • 25 de setembro de 2018
Anna Marina, 60 anos de profissão: o estilo único de uma jornalista única
Anna Marina, influente jornalista de moda mineira, recebe da presidente da Jornada Solidária, Nazareth Teixeira da Costa, e do diretor-presidente dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa, homenagem aos seus 60 anos de carreira. Foto: Marcos Vieira/EM

Silvana Arantes, Estado de Minas

Mais influente jornalista de moda mineira, Anna Marina completa 60 anos de carreira e é homenageada com noite de desfile e depoimentos

Orgulhoso da cabeleira de dreadlocks que passou a ostentar após uma temporada em Londres, da qual acabara de retornar, o estilista, ainda em busca de seu lugar no mundo da moda, foi até a redação do Estado de Minas para ser entrevistado.

Mal pousou seus olhos naquele jovem e na vastidão de seus fios, a editora Anna Marina disparou: “Quantos bichos cabem aí debaixo?”.

Na homenagem feita na noite de terça-feira (11) aos 60 anos de jornalismo de Anna Marina Siqueira, e aos 50 anos de seu caderno Feminino & Masculino, Ronaldo Fraga escolheu essa memória para revelar, num depoimento exibido em vídeo, antes do desfile “A história da moda mineira – Nove décadas em 20 looks”, realizado no Ponteio.

A escolha não poderia ser mais apropriada. Uma única frase sintetiza o bicho raro que é Anna Marina, exemplar da espécie de jornalistas puro-sangue, caracterizados por um profundo entendimento de que é com as perguntas mais incômodas que se extraem as maiores verdades, por uma curiosidade inesgotável e por uma total ausência de inibição para satisfazê-la.


Anna Marina (centro) modelando nas fazendas Associadas, em Manga, em 1961

Com 60 anos de exercício dessas habilidades, Anna Marina construiu mais do que uma carreira digna de homenagem. Ela ajudou a impulsionar várias outras, de estilistas e produtores. Por isso não foram poucos os que juntaram suas vozes à de Ronaldo Fraga para dizer um sincero “parabéns e muito obrigado” a esse incontornável nome da moda mineira – Liana Fernandes, Marília Pitta, Regina Matina, Soninha Lessa, Cláudia Fagundes, Patrícia Motta, Liliane Rebehy Queiroz, Helen Carvalho, Georgiana e Stefânia Mascarenhas, Márcia Queiroz, Lilian e Soraia Abras, Terezinha Santos, Victor Dzenk, Fátima Scofield, Valéria Lemos, Renato Loureiro, Luiz Sternick, Maria Ignez Coutinho e Zeca Perdigão.

É notável que, com o conjunto de talentos para o jornalismo que tem e a audácia de impô-los numa redação na qual era a única mulher, em 1958, Anna Marina tenha voltado seus esforços e sua atenção para aquela que é conhecida como a mais efêmera das artes.

É preciso lembrar, contudo, que a moda não é somente efêmera; é também uma exímia tradutora de comportamentos e valores (individuais e coletivos), sem mencionar sua relevância industrial e econômica. Nenhum desses aspectos escapa ao olhar atento de Anna Marina. E talvez nenhum outro tema fosse tão adequado para alguém que escrutina a aparência com o objetivo de compreender a essência por baixo dela.

Sem se privar de nem um aspecto sequer entre os que a moda pode oferecer a quem se interessa por ela, Anna Marina experimentou também a passarela e foi “a moça mais bonita que já pisou no Automóvel Clube”, como observou o diretor-presidente dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa, ao lhe entregar, na noite de terça, uma capa especial do caderno Feminino, emoldurada em forma de quadro e comemorativa de seus 60 anos de carreira.

A entrega precedeu o desfile, que homenageou também os 90 anos do Estado de Minas, com 20 looks que compreendem as nove décadas desde a fundação do jornal. Parte das peças está disponível para leilão, com renda revertida para a Jornada Solidária, projeto de responsabilidade social dos Diários Associados criado há 55 anos.

Terminado o desfile, a empresária Ângela Gutierrez, amiga de Anna Marina, sentada ao seu lado na primeira fila, comentou com a homenageada que havia sido uma bonita noite. “Foi. Mas eu vou ter que carregar aquele quadro?”, ouviu como resposta. Para o bem do jornalismo, faz 60 anos que Anna Marina tem sempre uma pergunta na ponta da língua e nenhuma disposição em calar-se.

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