Presépio montado na igreja matriz é um mosaico de memória, de tradição e de fé

Presépio montado na igreja matriz é um mosaico de memória, de tradição e de  fé
Padre Felipe Lemos finalizando o presépio que ele idealizou, com quadros de artistas da cidade. Foto: Marco Aurélio Fonseca

Gustavo Werneck, Estado de Minas

Valorização da cultura, preservação do patrimônio e evangelização pela arte. No ano em que comemora duas décadas como santuário arquidiocesano, a igreja matriz de Santa Luzia, na
Região Metropolitana de Belo Horizonte, inaugura um presépio com mais de 100 quadros pintados por filhos da terra mostrando o casario, monumentos e templos da fé – alguns já saíram de cena e se encontram apenas na memória, nas telas e em retratos. A iniciativa, mantendo uma tradição centenária no período natalino, é do reitor e titular da Paróquia Santa Luzia, padre Felipe Lemos de Queirós, que fará a inauguração e bênção hoje, durante a missa das 15h, quando começa a novena dedicada à padroeira e protetora da visão.

Com o título de “A arte de Santa Luzia no presépio do santuário” e montado na capela-mor do templo barroco, o cenário do nascimento de Jesus reúne peças francesas do século passado pertencentes ao acervo da paróquia, e traz, desta vez, uma passarela para que os visitantes possam admirar mais de perto as figuras, respeitando os protocolos sanitários exigidos para evitar aglomeração durante a pandemia do novo coronavírus.

“Santa Luzia tem uma tradição muito forte em presépios nas casas e nas igrejas, então nosso objetivo é realmente trazer a cidade para dentro da igreja e valorizar os artistas locais. São quadros de várias épocas, de muitos bairros, alguns dos pintores já morreram, assim estão emoldurados até lugares que não existem mais”, afirma o religioso.

Na tarde de ontem, enquanto terminava de fazer o presépio na companhia do voluntário Wellington Corrêa, dono de grande experiência nesse campo, padre Felipe mostrava a gruta de Belém ornamentada por quadros de anjos igualmente pintados e outras peças como a sagrada família, os pastores, os animais, o monjolo e outros que fazem a festa para os olhos de crianças e adultos. Há também peças feitas na unidade da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), em Santa Luzia.

“Quando cheguei a Santa Luzia, há pouco mais de dois anos, vi que o presépio era montado somente depois da festa da padroeira, em 13 de dezembro. Então achei melhor antecipar, dando oportunidade aos romeiros de conhecer nosso presépio. Mas este ano o aviso é para que os romeiros fiquem em casa”, explicou o pároco. Para compor o cenário, ele foi “de casa em casa” pedindo a colaboração das famílias e, pelo resultado, teve ótima receptividade.

Outra imagem do presépio, tendo ao fundo o altar mor, com a imagem de Santa Luzia. Foto: Marco Aurélio Fonseca

PATRIMÔNIO– Em visita ao santuário vinculado à Arquidiocese de Belo Horizonte, o advogado João Fábio de Lima Noronha, morador do Bairro Chácaras Santa Inês, no distrito São Benedito, em Santa Luzia gostou do que viu. “A ideia do padre de trazer a cidade para dentro da igreja, nesses tempos, é importante para manter viva a tradição e valorizar o patrimônio e a cultura da cidade”, disse o advogado, que levou a filha Luísa, de 2 anos.

Em Santa Luzia, há forte tradição de presépios e um circuito especial para visitação às casas no período natalino. No total, são 42 residências cadastradas pela Secretaria Municipal de Cultura que abrem as portas para receber gente de todo canto. Desta vez, devido à pandemia do novo coronavírus, a tradição será mantida, mas a prefeitura local ainda estuda os protocolos sanitários a serem adotados, porque 50% das pessoas responsáveis pelos presépios têm mais de 60 anos, estando, portanto, no grupo de risco. Informações com Marco Aurélio Fonseca, pelo telefone (031)3641-4791.

JUBILEU– Devido à pandemia do novo coronavirus, que impede aglomerações, o Jubileu de Santa Luzia, em 13 de dezembro, não terá procissão, barraquinhas nas ruas, cavalgada e shows. Segundo informações do santuário, para o domingo festivo estão programadas 10 missas, divididas entre a matriz e a Igreja do Rosário, todas já com agenda de participação completa.

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, vai celebrar às 17h (apenas para agentes pastorais) e, na sequência, às 18h, haverá procissão motorizada pelas ruas da cidade. A orientação é para que as pessoas, principalmente as do grupo de risco, acompanhem as atividades religiosas pelas redes sociais do santuário.

Em 13 de dezembro, o santuário ficará aberto para visitação. Durante a trezena, que irá até 10 de dezembro, as missas serão às 6h, 9h, 15h e 19h30, não sendo necessário agendamento, mas respeito à ordem de chegada.

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