Projeto prevê 2.148 pessoas morando na área da antiga fazenda de Vicente Araújo

Projeto prevê 2.148 pessoas morando na área da antiga fazenda de Vicente Araújo
A bonita área verde, se a população não se mobilizar, vai desaparecer para dar lugar a mais de 500 moradias. Foto: internet

Luzias

A reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente prevista para esta quarta-feira(16), convocada para discutir, entre outras propostas, a construção de um conjunto habitacional na antiga fazenda de Vicente Araújo foi adiada pela segunda vez, pelo mesmo motivo: o número de membros do conselho presentes no auditório da Prefeitura, na Frimisa, era inferior ao necessário. Não tendo havido quórum, foi preciso adiar. Será realizada nesta sexta-feira(18). Isso significa que temos que nos mobilizar para convencer o Prefeito Christiano Xavier que aquela área, de mais de 500 mil m2, às margens do Rio das Velhas, não comporta um projeto desse porte. E terá um impacto direto na vida dos luzienses.

Um parecer técnico da própria Prefeitura mostra que o projeto “Cidade Jardim.” da EMCCAMP Residencial S.A. (a mesma empresa que constrói um mega conjunto na saída de Santa Luzia para Belo Horizonte, via Bicas), prevê a construção de 527 unidades habitacionais e projeta um total de 2.148 moradores no local. O parecer, que será discutido na reunião de depois de amanhã, diz que já foi feito estudo de impacto. Mas todos sabemos que a área é inadequada, tem um trânsito dos mais pesados e perigosos cidade. Onde está a escola que vai absorver as crianças que morarão lá? Com mais gente, como vai ficar com um transporte público que já é um dos piores de Minas? E posto de saúde? Simplesmente, não dá.

O preocupante é que a Prefeitura divulgou nesta tarde uma nota sobre o projeto, que se contradiz no segundo parágrafo:

“A EMCCAMP Residencial S.A. protocolou, no dia 08/03/2019, o pedido de concessão de Licença Prévia visando a implantação de um loteamento denominado CIDADE JARDIM, que essa licença prévia é apenas para o loteamento e não a construção de quaisquer prédios, casas ou comércios.” Em seguida, depois de afirmar que “esse é um direito de qualquer proprietário de terreno entrar e ter o seu pedido analisado”, afirma que “a área a ser construída está localizada no endereço Av. Dr. Vicente Araújo, S/N, Bairro da Praia, zona urbana de Santa Luzia, conforme disposto na lei de parcelamento, uso e ocupação do solo, Lei Complementar nº 2.835/2008.”

Lendo a nota da Prefeitura, embora esteja lá que ainda faltam várias etapas até a aprovação de qualquer construção, a impressão que se tem é que há apoio ao projeto. O último parágrafo explicita o que o texto parece querer encobrir. No trecho final, vem a explicação: “Loteamento é apenas a divisão do terreno em lotes e a instalação de infraestrutura urbana (abertura de vias, drenagens, iluminação, construção de praças, reserva de áreas institucionais e etc).” Mas um loteamento não é a primeira etapa de um processo que levará inevitavelmente à construção de moradias? E o projeto “Cidade Jardim” não prevê a instalação de mais de duas mil pessoas nas 527 unidades previstas para esse loteamento?

Nesta terça-feira(15), depois de publicar um artigo mostrando a insensatez (para a cidade) do empreendimento, o Luzias recebeu várias mensagens de moradores, defendendo uma ampla mobilização dos luzienses para impedir que o projeto da construtora de BH ganhe vida, pois ele “atenta contra a ordem urbanística e ambiental do local e certamente irá interferir no bem-estar de todos nós.”

Como dissemos no início desse texto, temos todos que, de alguma maneira, tentar sensibilizar Christiano Xavier, para que ele não aceite o projeto. Se for aprovado pelo conselho Municipal de Meio Ambiente, mesmo a cidade sendo prejudicada, o Prefeito não poderá fazer mais nada.

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1 Comentário

  • Ednolia Matoso
    17 de dezembro de 2020, 17:27

    Santa Luzia precisa de parques ecológicos ,de mais escolas de saneamento básico pois a população existente não e suficientemente provida de tudo isso.A vinda deste empreendimento será o caos para a cidade .

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