Ocupação do bairro Novo Centro preocupa moradores de Santa Luzia

Ocupação do bairro Novo Centro preocupa moradores de Santa Luzia
É aqui que a Cohab está criando outro grande loteamento, sem qualquer estudo de impacto. Foto: Site da Prefeitura de Santa Luzia

Luzias

O drama do crescimento desordenado de Santa Luzia ganha mais um capítulo, não só com a intenção do Governo Zema, através da Cohab, de assentar famílias carentes oriundas de outros municípios no Novo Centro, como pela criação de um grande loteamento, com terrenos vendidos no bairro pela Cohab, a partir de 250 metros.

Ninguém sabe dizer como, daqui a um tempo, os moradores de Santa Luzia terão acesso a Belo Horizonte. Através de São Benedito já se tornou inviável. A Emccamp, mesma construtora que está tentando criar um megaloteamento na antiga fazenda de Vicente de Araújo, deve inaugurar – estava previsto para fevereiro – o chamado “primeiro bairro planejado de Belo Horizonte”, Parque Cerrado, ao lado do portal, via Bicas, que leva a BH.

No total, são mais de 80 prédios de cinco andares, com quatro apartamentos por andar – alguns com dois, outros com três quartos. Deixo para você, leitor(a), a tarefa de fazer as contas de quantas pessoas vão morar nesse bairro. Nenhuma obra na estrutura viária daquela área foi feita. Apenas um semáforo foi instalado no local.

Além disso, está surgindo esse outro loteamento no Novo Centro. Antes de ler a matéria feita por Silvia Pires para o Estado de Minas, sobre a preocupação com a vinda de mais famílias para uma cidade que não tem infraestrutura – o próprio Prefeito reconhece isso -, veja o vídeo da Cohab sobre o empreendimento, que a empresa chama de “A maior oportunidade imobiliária da Região Metropolitana de Belo Horizonte”:

Leia o texto de Silvia Pires:

Moradores de Santa Luzia estão preocupados com o plano de reassentamento de cerca de 228 famílias, no Bairro Novo Centro. A proposta prevê a doação de terrenos pertencentes à Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab Minas) para as famílias de ocupações irregulares em BH, sem oferecer, no entanto, nenhuma contrapartida ao município. A prefeitura da cidade afirma não ter estrutura para receber as famílias, que chegam a aproximadamente mil pessoas.

O bibliotecário Wander Garcia, de 48 anos, acredita que cada município deve arcar com suas responsabilidades. “Nós também temos no município pessoas que demandam habitação. Elas não foram ouvidas antes de trazer famílias de outras cidades para cá. Nós temos um problema social aqui. Santa Luzia não tem condições de receber tantas pessoas assim”, disse. Proprietário de um lote no bairro, ele conta que planejava começar a construção, mas, agora, vai esperar o desenrolar dessa história. “É um problema social que vai ser causado na cidade”, afirma.

O líder comunitário Davidson Dourado dos Santos diz que apenas disponibilizar os lotes para as famílias não resolve o problema. “Eles deveriam se responsabilizar pela construção das casas, mas, na verdade, só estão jogando as pessoas em um lugar sem infraestrutura nenhuma. Não queremos impedir ninguém de ter sua casa própria, mas as condições não são boas”, avalia. Segundo ele, as famílias devem receber um auxílio do estado para a construção das casas.

Para o construtor Ricardo Rocha, o valor não é suficiente. “Eu acho uma covardia. O CUB hoje gira em torno de R$ 2 mil, então, construir uma casa razoavelmente digna gastaria, no mínimo, R$ 136 mil. Eles vão chegar aqui e não vão ter condições de construir”, analisa.

Segundo o prefeito Pastor Sérgio, o município não foi comunicado dessa ação do estado. “Nós não participamos da construção desse processo. Eles desenvolveram toda uma solução e Santa Luzia está sendo responsabilizada a receber essas famílias, sem considerar a infraestrutura da cidade”, declara.

“Nós queremos acolher as pessoas e dar a elas dignidade, não apenas oferecer um pedaço de terra. Eles vão chegar aqui e não tem uma escola para atender as crianças, não tem um posto de saúde”, complementa. De acordo com a prefeitura, a cidade deve receber 90 famílias da ocupação Vicentão e 138 da ocupação Carolina Maria de Jesus.

O prefeito conta, ainda, que a cidade passa por um processo de regularização fundiária. “Hoje, mais de 50% da nossa cidade é considerada irregular. Quero receber em Santa Luzia situações que vão ajudar a resolver os nossos problemas, e não nos dar outros problemas para resolver. As pessoas que estão destinadas a vir para cá são bem-vindas, mas eu preciso recebê-las bem. Santa Luzia não tem essa estrutura para receber essas pessoas conforme elas merecem”, disse Padre Sérgio.

A Procuradoria do município deve entrar com ação para rever o reassentamento das famílias no bairro. A prefeitura planeja revitalizar o Bairro Novo Centro. “Queremos construir um imponente Mercado Central da cidade e transformá-lo em um atrativo turístico para a cidade para ajudar na economia da cidade”, conta. Procurada pela reportagem, a Cohab Minas não respondeu até o fechamento desta edição.

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