Casa ao lado da igreja matriz será a sede do museu de arte sacra de Santa Luzia

Casa ao lado da igreja matriz será a sede do museu de arte sacra de Santa Luzia
A casa, com tapume escuro, atrás da igreja, foi doada pela família Souza Lima. Foto: Luzias

Gustavo Werneck, Estado de Minas

A doação de uma casa tombada pelos patrimônios municipal e estadual no Centro Histórico de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vai permitir não só a restauração do imóvel como a abertura, no local, de um museu de arte sacra da Paróquia Santa Luzia. Para dar sustentação à iniciativa, já se encontra em andamento uma campanha em busca dos recursos, tendo à frente o titular da paróquia e reitor do Santuário Santa Luzia, vinculado à Arquidiocese de Belo Horizonte, padre Felipe Lemos Queirós. “A Campanha dos 13 consiste na doação de R$ 13 durante 13 meses. Escolhemos o 13 porque se trata de número simbólico para a cidade, pois 13 de dezembro é o dia da nossa padroeira”, explica o pároco.

O futuro museu de arte sacra ficará bem perto da igreja matriz. Foto: Luzias

Segundo padre Felipe, foram feitos os serviços de limpeza e escoramento do imóvel, que fica na Rua do Serro, 535, bem ao lado da igreja matriz. Ele adianta que o projeto de restauro está quase concluído para ser apresentado à Prefeitura de Santa Luzia e ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), órgãos responsáveis pelo tombamento do bem.

Fechada há 25 anos
A doação do imóvel pelos herdeiros do casal Eurides de Souza Lima, contador, e Ana Augusta de Lima, conhecida por dona Nica, e as primeiras ações na construção (fechada durante 25 anos) foi intermediada pelo ex-promotor de Justiça da comarca de Santa Luzia Marcos Paulo de Souza Miranda, atual coordenador das Promotorias de Justiça Criminais de Minas Gerais.

‘As novas gerações conhecem pouco da cidade, do seu passado, da sua importância na história de Minas. Então, fico feliz com a iniciativa’, Maria Ana Gabrich, professora aposentada e psicóloga
(foto: Marco Aurélio Fonseca/Esp. EM)

A expectativa de padre Felipe é dar início às obras ainda este ano. “Nosso objetivo é que seja também um espaço de exposições sacras temáticas e temporárias, que vai se integrar ao santuário, à Igreja do Rosário e à Capela do Bonfim, todos os três templos do século 18 e, além de espaços de fé, guardiões de acervos importantes. Assim, quem visitar o museu será direcionado para visitação aos demais monumentos, no Centro Histórico da cidade.” A campanha está no começo e precisa da participação de moradores e quem mais se interessar. “Temos boa adesão, mas vamos precisar de muita ajuda, pois a obra ficará entre R$ 300 mil e R$ 400 mil”, prevê o padre.

Os vizinhos dão as boas-vindas à iniciativa. A professora aposentada e psicóloga Maria Ana Gabrich, de 82 anos, nascida e criada ao lado do imóvel, acredita que será uma ótima oportunidade para Santa Luzia mostrar mais ainda o seu patrimônio e contar a história. “As novas gerações conhecem pouco da cidade, do seu passado, da sua importância na história de Minas. Então, fico feliz com a iniciativa”, ressaltou.

De acordo com informações da Secretaria de Cultura de Santa Luzia, a casa foi construída no século 19 e abrigava uma venda, até ser reformada em 1934. Nessa intervenção, duas das três portas de acesso ao estabelecimento foram retiradas e substituídas por duas janelas, ficando com uma porta central, o que alterou totalmente o estilo da casa. A fachada tem estilo eclético.

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Dona Nica até hoje é lembrada pelos primorosos bordados que fazia para as filhas, parentes e amigos. Uma das vizinhas se lembra da devoção religiosa: “Toda tarde, ela subia as escadarias do Santuário Santa Luzia para rezar”.

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