Inaceitável: museóloga é substituída por cinegrafista no comando do Iphan/MG

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A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(Iphan), Célia Corsino, durante visita à Casa de Cultura de Santa Luzia, em setembro de 2018

Exoneração da superintendente do órgão no estado, líder em bens tombados, preocupa gestores. Indicado não tem qualificação técnica para o cargo, apontam especialistas

Gustavo Werneck, Estado de Minas

O clima é de preocupação – e de muitas incertezas – entre gestores e defensores do patrimônio cultural de Minas, estado que detém o maior número (60%) de bens tombados pela União e também de sítios reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O ministro da Cidadania, Osmar Terra, exonerou, conforme portaria assinada na quarta-feira, a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas, Célia Corsino, que ocupava o cargo havia quatro anos. Para seu lugar foi nomeado Jeyson Dias Cabral da Silva, ex-assessor do deputado federal Charles Thomacelli Evangelista, do PSL (partido do presidente Jair Bolsonaro), quando esse era vereador em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

O novo superintendente, Jeyson Dias Cabral da Silva, ex-assessor do deputado federal Charles Thomacelli Evangelista, do PSL (partido do presidente Jair Bolsonaro)

Conforme o Estado de Minas apurou, Jeyson seria indicação de Charles Evangelista, embora sem qualificação técnica adequada, segundo especialistas, para assumir o cargo que envolve não apenas a proteção do patrimônio edificado e fiscalização de obras de restauração, como também busca de recursos, questões ligadas à mineração em municípios com monumentos tombados, licenciamentos e uma série de outras atribuições. Conforme o currículo, o substituto tem licenciatura plena em estudos sociais (geografia e história), experiência em área de venda, assessoria legislativa e telemarketing, além de conhecimento básico de inglês e na área de informática, tendo trancado o curso de direito no quarto período. Enquanto ele não toma posse, vai assumir interinamente a chefe da Divisão Técnica em Minas, Daniela Lorena.

Minas é o estado que detém o maior número (60%) de bens tombados pela União e também de sítios reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)

A preocupação com a integridade e segurança do patrimônio cultural de Minas, e o temor de que o cargo fosse uma indicação política e não técnica, mobilizou prefeitos de três municípios mineiros com bens reconhecidos como patrimônio da humanidade tão logo Bolsonaro assumiu a presidência. Em carta dirigida ao ministro Osmar Terra (a autarquia federal está agora vinculada à pasta da Cidadania), os chefes do Executivo de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, Juscelino Roque, de Ouro Preto, Júlio Pimenta, e Congonhas, José de Freitas (Zelinho) Cordeiro, na Região Central, pediram que Célia Corsino fosse mantida, principalmente pela competência e também em enfrentar momentos de crise econômica com a formação de parcerias e boa gestão.

Parceria e gestão– “Estamos perdendo uma grande gestora e uma parceira dedicada para resolver as urgências do patrimônio de Minas”, lamentou o prefeito de Congonhas, onde está o Santuário Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, com destaque para os 12 profetas em pedra-sabão, no adro da igreja do século 18, e as peças da Paixão de Cristo esculpidos por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814).

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