Estação ferroviária é do fim do século 19

Estação ferroviária é do fim do século 19
Foto antiga da estação, da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia

Beto Mateus*

A estação de Santa Luzia foi inaugurada (com os trilhos) no dia 06 de abril do ano de 1893. Primeiramente, recebeu o nome de Rio das Velhas, devido ao nome da cidade, que era Santa Luzia do Rio das Velhas, e pelo fato da estação estar próxima do curso deste rio. Esse ramal ferroviário está incluído no trecho Burnier – Corinto, construído entre os anos de 1887 e 1906, e é parte integrante da Linha do Centro no km 610,381. Este trecho esteve sob responsabilidade da E.F. Central do Brasil, antiga Dom Pedro II, de 1893 até 1969. A partir daí, esteve sob o comando da Rede Ferroviária Federal até 1996, quando o trecho foi arrendado para a MRS Logística, com transporte de cargas gerais (minérios, cimento, produtos das siderúrgicas e alimentos (como a soja).

O complexo da estação de Santa Luzia inclui o prédio da estação, o antigo armazém, a caixa d’água e as antigas casas de número 16, 48 e 80, localizadas na rua Barão do Rio Branco, estando à margem da linha ferroviária. De acordo com a função do ferroviário é que sua moradia era determinada, ou seja, quanto mais elevado o posto, mais confortável seria a sua casa. Alguns materiais utilizados nessas construções são de origem européia, como as telhas francesas, de origem na região da Marselha.

O estilo arquitetônico do prédio da estação é o mesmo de muitas cidades mineiras, seguindo os preceitos do ecletismo. O telhado é prolongado sobre a plataforma de embarque/desembarque, sendo sustentado por mãos francesas e, em torno de todo o telhado (no beiral) estão os lambrequins de madeira, ornamentando o prédio que se destaca no conjunto arquitetônico da praça Getúlio Vargas.

A Estação foi de grande importância para a economia de Santa Luzia e para o Bairro da Ponte. Sua existência provocou grande afluência de famílias de origem sírio-libanesa, italianos e turcos que fizeram florescer no bairro a atividade comercial, caracterizada até os dias atuais pela sua Rua do Comércio.

Seu prédio, assim como as casas destinadas aos ferroviários, são tombadas pelo Conselho de Patrimônio Cultural do município.

* Pesquisador luziense, associado do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais

Em junho de 2012, a estação quase foi destruída por um incêndio, como mostra esta reportagem:

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1 Comentário

  • Carlos
    27 de março de 2018, 14:45

    Achei que a estação era já do século XX. Esse Beto é demais!

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