Eva Domingos: Este Dia das Mães terá um sabor de renascimento, de vida, de saúde

Eva Domingos: Este Dia das Mães terá um sabor de renascimento, de vida, de saúde
Eva Maria Domingos, com a caçula Viviane e um detalhe do quadro A criação de Adão, de Michelangelo, maravilha do Vaticano: Um dia, verei de perto. Sei que haverá uma próxima oportunidade. Foto: Alexandre Guzanshe/D.A Data Press

Gustavo Werneck, Estado de Minas

Não será apenas um domingo. Nem mais uma data festiva com beijos, almoço caprichado e fotos no celular. Este Dia das Mães será ainda mais especial e inesquecível para Eva Maria da Silva Domingos, de 62 anos, viúva, que trouxe ao mundo Guilherme, Cristiane e Viviane e tem como xodós os netos Vitor, Ana Clara, Gabriela, Felipe e João. “Terá um sabor de renascimento, de vida, de saúde”, revela Eva, que, mais do que nunca põe fé na sabedoria popular. “Há males que vêm para o bem. E quem duvida de que Deus escreve certo por linhas tortas?”

Sua certeza tem uma razão bem especial de ser. Eva esteve a poucas horas de realizar um grande sonho – mas, para sua decepção momentânea, ele não decolou. Em 2 de março, num grupo de 15 pessoas, viajaria para a Europa, começando pela Itália e depois curtindo uma semana em Portugal. Mas o novo coronavírus migrara da China para o Velho Mundo e ainda fazia seus primeiros estragos na região italiana da Lombardia. “Viajaríamos num domingo. Passei o sábado pensativa, até que fui aconselhada pelos filhos a desistir. Logo depois, o aeroporto de Roma foi fechado”, relembra.

Ao lado da filha Viviane, caçula e vizinha, Eva conta não ter sido fácil cancelar o passeio e deixar de lado o desejo de ir à Europa. “Mas, hoje, vejo que ter ficado no Brasil foi um presente de Deus. Tenho quase certeza de que, se embarcasse, já que ainda não havia restrições por parte das autoridades brasileiras, estaria doente ou, quem sabe, teria perdido a vida”, acredita. O motivo pra tal convicção decorre de duas fortes pneumonias que a acometeram no ano passado. “Fiquei boa, mas, se pegasse a COVID-19, que ataca os pulmões, seria perigoso demais.”

SABER ESPERAR Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), criada na localidade de Jaguara, em Onça de Pitangui, no Centro-Oeste de Minas, e moradora de Santa Luzia, na Grande BH, Eva é uma pessoa muito bem-humorada, conforme ela mesma se define, e também abençoada. Foi batizada com o nome composto formado pelo da primeira mulher, de acordo com a Bíblia, e de Maria, mãe de Jesus. “E ainda tenho o sobrenome Domingos, o que garante que poderei comemorar esse Dia das Mães, em família, por muitos e muitos domingos, depois que a pandemia passar. Se não dá para unir todos agora, não tem problema, pois coração de mãe sabe esperar.”

A conversa sobre o nome próprio é a deixa para Eva se lembrar do marido, Wilson, falecido em novembro de 2010 e que, curiosamente, tinha o apelido de Quarta-feira. “Aqui em casa, a semana, de domingo a domingo, sempre foi cheia de emoções, com as alegrias e tristezas de todas as famílias brasileiras. E as mães têm seu papel importante, sabe por quê? Porque ser mãe é um privilégio de Deus. Amo muito meus filhos, e agora duplamente meus cinco netos.”

O plano de conhecer a Itália e Portugal, acalentado durante tantos anos, volta à conversa. Funcionária de uma escola da rede estadual, Eva só conseguiu colocá-lo em prática depois de ver os filhos criados e após um ano inteiro pagando as prestações da viagem. “Nunca imaginei que tudo seria interrompido pela pandemia do novo coronavírus. Foi uma decisão difícil, principalmente porque cinco pessoas do grupo, por sua conta e risco, resolveram embarcar. E, além disso, estávamos com hotéis reservados, passeios marcados. Ficava imaginando conhecer os monumentos em Roma, o Vaticano, Florença, enfim, toda a beleza e cultura que a gente vê nos filmes e nos livros. Mas Deus sabe o que faz.”

Enquanto a viagem ainda parece distante e a pandemia não acaba, Eva e a filha Viviane se contentam em admirar, e reproduzir, o detalhe de A criação de Adão, de Michelangelo, maravilha da Capela Sistina, no Vaticano. “Um dia, verei de perto”, garante a mãe.

Perto da padroeira do Brasil, Eva desliza os dedos pela imagem de Nossa Senhora Aparecida e se mostra tranquila. “Já pensou se eu tivesse ido e ficado lá com medo, sem poder visitar os monumentos, presa dentro do hotel, vendo apenas da janela? Sei que haverá uma próxima oportunidade. Entramos na Justiça e deveremos ir no ano que vem.”

No roteiro em Portugal estava o Santuário de Fátima, onde Eva um dia quer rezar, acender uma vela para Nossa Senhora, pedir por toda a família e amigos. “Não podemos perder a fé, muito menos a esperança”, resume. De repente, Eva puxa uma fotografia e aponta uma senhora da qual foi cuidadora há muitos anos. “O sonho de visitar a Europa começou aqui. Um dos filhos dessa senhora, que gostava demais de mim, falou que pagaria minha passagem se ela decidisse viajar. Mas ela não quis… Aí fiquei na saudade”, brinca.

Para este domingo de quarentena, Eva cogitou reunir os filhos, fazer um prato bem gostoso, uma sobremesa melhor ainda e ganhar muitos abraços. Depois, pensou duas vezes, pois os tempos estão complicados e a situação continua grave. “Então, o melhor mesmo é ficar aqui em casa com a Viviane. Com os outros filhos e netos, vou falar pelo celular. O amor é o mesmo, a gente só vai adiar um pouco o encontro.”

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