Memórias de um repórter luziense: uma tarde no apartamento de Elza Soares, no Rio

Memórias de um repórter luziense: uma tarde no apartamento de Elza Soares, no Rio
Foto histórica no antigo Cine Santa Cruz, atual Teatro Municipal Antônio Roberto de Almeida, de Santa Luzia, na década de 1970. Elza Soares e Mané Garrincha, entre Rogério de Oliveira, e o ex-prefeito da cidade mineira, Oswaldo Ferreira. (foto: Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia)

Gustavo Werneck Estado de Minas

Era uma tarde de verão, mais exatamente 3 de março de 2016, quando estive no apartamento de Elza Soares, em Copacabana, no Rio. Lembro-me bem da data, pois, na manhã daquele dia muito triste para mim, minha tia Aurita fora enterrada. Acompanhei um amigo querido, colega de longa data de um funcionário da grande cantora. Estava meio sem graça, mas fui assim mesmo.

Quando entramos na ampla sala do apartamento, Elza estava confortavelmente sentada com os pés apoiados num banquinho. “Olha, gente, não vou me levantar, não, pois estou na minha casa!”, disse como se fôssemos velhos conhecidos. Naquele momento, ela assistia, na televisão gigante, a uma partida de basquete entre equipes norte-americanas, num canal a cabo. Confesso que preferi contemplar o mar da janela do quarto andar.

Como sempre faço em visitas ao meu pessoal lá do Rio, levei uma goiabada feita por Cristina, que mora no Córrego Frio, em Santa Luzia, na Grande BH. Elza adorou o presente (e nem tinha jeito de não gostar) e mandou que servissem o doce. “Pegue aqueles pratinhos como os garfinhos dourados”, pediu com o sotaque carioca que ficou gravado na minha memória.
No bate-papo, contei para ela que a tinha visto, décadas passadas, com Mané Garrinha, na porta do teatro de Santa Luzia. Mas não me lembrava quando, apenas recordava de um vestido branco. Disse ainda que o médico e prefeito Oswaldo Ferreira, natural de São Gonçalo (RJ), era o anfitrião do casal no show daquela noite. “E ele está bem?”. Falei que já tinha falecido. Elza desconversou, e vi que não gostava do assunto “morte”, pois, antes, eu contara que tinha ido ao Rio participar da despedida a minha tia.

Ficamos ali algum tempo, e hoje só me arrependo de um detalhe. Como se tratava de uma visita, ninguém fez foto com o celular, embora aquele momento tão especial merecesse ser registrado. Mas está gravado na lembrança, com os votos de que Elza Soares, que tem “ares” no sobrenome, (en)cante  e fique encantada bem lá no céu. Vai com Deus! E com as bênçãos de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, celebrado ontem e poderoso contra a fome, a peste e a guerra.

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1 Comentário

  • Carlinhos Novy
    21 de janeiro de 2022, 10:53

    Parabéns pela excelente matéria! Quantas saudades desse tempo tão feliz!! Abração!!

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