Luziense brilha no tênis para cadeirantes e é a grande esperança do Brasil no Pan

Luziense brilha no tênis para cadeirantes e é a grande esperança do Brasil no Pan
Daniel Rodrigues,32, conseguiu um feito: tornou-se o primeiro brasileiro da modalidade a conquistar um título no exterior, no Aberto da Suíça. Foto: Fábio Freitas/Divulgação

Ivan Drummond, Estado de Minas

O tênis mineiro está novamente em evidência. Além de Marcelo Melo, ex-número um de duplas, e Bruno Soares, um dos 10 melhores do mesmo ranking, Daniel Rodrigues, de 32 anos, acaba de realizar um feito no tênis para cadeirantes: tornou-se o primeiro brasileiro da modalidade a conquistar um título no exterior, no Aberto da Suíça, quando derrotou, no fim de semana, o belga Joachim Gerard – quinto colocado do ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF) –, por 2 a 1 (5/7, 7/6 (6) e 6/3), de virada. O resultado fez também com que ele subisse do 13º para o 12º posto no ranking mundial.

Esse não foi o primeiro resultado de expressão do mineiro de Santa Luzia. Convocado para o Para-Pan-Americano de Lima’2019, ele estará no maior evento das Américas pela terceira vez. A primeira foi em Guadalajara’2011, mas não conseguiu chegar à disputa de medalhas. Já em Toronto’2015, ele subiu ao pódio duas vezes: foi prata na disputa de duplas, em parceria com Carlos Santos, e bronze individual.

CAMPEÃO – Daniel joga tênis desde 2006, quando tinha 19 anos. No entanto, este não foi sempre seu esporte. Portador de má-formação congênita nas pernas, foi quando estudava na Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa, em Santa Luzia (ele é do bairro São Geraldo, área central de Santa Luzia), onde tudo começou. “Eu jogava futebol de campo, de salão e handebol, usando muletas. Na Olimpíada interna da escola, eu me destaquei e fui campeão nas três modalidades. Futebol, jogava na linha com os meninos que não tinham qualquer problema. No handebol, era goleiro.”

A grande vitória no Aberto de Tênis da Suíça deu mais ânimo na busca do ouro, no Pan

E foi esse bom desempenho, segundo ele, que chamou a atenção de um professor de história, que acabou por ajudá-lo. “Olha, só sei que ele se chamava Mário. Era o professor Mário, que era substituto. Ele gostava de mim. Sempre que tinha jogo, ele tirava seus alunos da sala para me verem jogar. Incentivava-me muito. Foi ele quem me encaminhou para o tênis em cadeira de rodas. Foi sem querer, pois me passou um telefone, dizendo que deveria ligar para o número, que era do pessoal do basquete. Só que não era esse o esporte, e sim o tênis.”

O homem que o ajudou, no entanto, talvez nem saiba que ele está jogando hoje. “Olha, eu já tentei achá-lo. Na escola, não sabem nada dele. Não têm o contato. Ele não sabe o que fez por mim. E como queria encontrá-lo para lhe agradecer.”

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DIFICULDADES– Quando começou a jogar tênis, Daniel disse que jamais imaginou que pudesse chegar ao nível que está hoje. “Olha, eu nem pensava em jogar. Não queria seguir jogando, porque era longe. Saía de Santa Luzia e tinha de viajar até o Bairro Olhos D’água. O máximo que tinha saído de casa era para ir a Belo Horizonte. Além do mais, eu nunca tinha usado cadeira de rodas. E aqui machucava a minha mão. Eu ia parar.”

Símbolo de superação: Daniel começou a jogar tênis em 2006

Mas alguns exemplos que viu o fizeram mudar de ideia. “Lá, tinha gente com outros tipos de deficiência e me impressionava a alegria deles por estarem praticando esporte. Foi então que mudei minha maneira de pensar e me joguei, de corpo e alma, no tênis. Hoje sou realizado, pois conheço mais de 20 países. O esporte está me levando onde jamais imaginei que estaria.” Ele passou por cirurgia para a retirada de uma das pernas.

MEDALHA DE OURO – Daniel está hoje na Inglaterra para disputar o Torneio de Nottingham, de quarta até domingo. Depois, irá para a Bélgica e para a Áustria. Em 12 de agosto, retorna para o Brasil, e se prepara para a viagem para Lima, no dia 20.

A conquista do título na Suíça o fez sonhar com a medalha de ouro em Lima. “O problema é que entre os adversários está o número um do mundo, o argentino Gustavo Fernandez. Mas vou para tentar vencê-lo. Sei que tenho capacidade para isso. A prova foi ter sido campeão na Suíça, ganhando do Joaquim Gerard, que é o quinto do ranking mundial. Quero muito essa medalha de ouro.”

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