Ritual para salvar um cedro centenário cujo tronco foi covardemente queimado

Ritual para salvar um cedro centenário cujo tronco foi covardemente queimado
O grupo reunido em torno do centenário cedro, na Rua José Tófani, ao lado da Praça Presidente Vargas

Luzias

Um grupo de luzienses cumpriu na manhã deste sábado um ritual cidadão: munido de um galão com 10 litros de pasta bordalesa (veja a composição abaixo) partiu para a Rua José Tófani, ao lado da Praça Presidente Vargas, na Ponte, com a missão de salvar um centenário cedro, ameaçado por um incêndio: juntaram uma porção de tralhas no pé da altiva árvore e , criminosamente, atearam fogo. O resultado do ato insano foi uma ferida profunda na parte de baixo do tronco, próximo das raízes. Mesmo assim, o altaneiro cedro resiste.

A velha árvore, atrás da sede do CREA, na Ponte

Receita da Emater
Gente da redondeza decidiu cuidar do ferimento. Criou um grupo que abraçou a causa e, neste sábado, iniciou o tratamento da árvore, usando uma brocha para encharcar toda a área afetada pelo incêndio com a pasta bordalesa, composta de água, sulfato de cobre, cal hidratada e sal.

Veja o dano causado ao cedro pela insensibilidade

Essa pasta, receitada pela Emater, é realmente eficaz em casos como esse, ajudando a regenerar as camadas de tecidos do tronco atingidas pelas labaredas. Agora, só daqui a um ano, em junho do ano que vem, o grupo voltará para, novamente, medicar o cedro. A expectativa é que, ao final dos próximos 12 meses, ele esteja mais viçoso e mais belo do que nunca.

Encharcando a parte afetada pelo incêndio com a pasta bordalesa

Se você quiser preparar a pasta bordalesa, aqui está a receita: 10 litros de água, 1 quilo de sulfato de cobre, 2 quilos de cal hidratada e 100 gramas de sal. Dissolva a cal em 5 litros de água; nos 5 litros restantes, dissolva o sulfato e o sal. Depois, é só juntar as duas misturas.

Mais belo dos ipês

Incrível como a ignorância pode causar danos: o que restou do belo ipê

Finda a missão na Rua José Tófani, o grupo seguiu para ver de perto, no lote vago, vizinho ao número 40, no início da Rua Alto do Tanque, o que restou do que foi um dia “o mais belo ipê amarelo/dourado de Santa Luzia”- como descreve um morador da rua.

Majestoso, o ipê desapareceu logo depois de florir, em agosto de 2017

O dono, querendo vender o lote, achou que derrubando esta preciosa árvore seria “mais fácil” passar o terreno adiante. Isso foi no ano passado. Como que para mostrar ao seu algoz que há forças maiores, capazes de neutralizar a ação de ignorantes, o velho ipê está brotando e ninguém comprou o lote até hoje.

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