Por que é demais gastar R$ 2 milhões em um rodeio

Por que é demais gastar R$ 2 milhões em um rodeio
A discussão não se resume à realização ou não de uma festa tradicional. O questionamento que começa a mobilizar o setor cultural refere-se a quais prioridades devem orientar a aplicação dos recursos públicos destinados à cultura em Santa Luzia. Foto: Jornal Virou Notícia

 

 

Luzias

Há poucos dias, publicamos aqui um artigo sobre a crise que o setor cultural de Santa Luzia está vivendo, em razão de a Prefeitura não vir honrando os pagamentos. E ao mesmo tempo, estar planejando gastar R$2 milhões numa festa de rodeio. Como informamos, a falta de pagamentos por parte da Prefeitura pode levar à suspensão das obras de recuperação do histórico Solar Teixeira da Costa, em frente à Matriz.

O uso de R$ 2 milhões num rodeio ganha um caráter ainda mais absurdo quando se tem conhecimento do orçamento total da área de políticas culturais de Santa Luzia em 2026: são R$ 5,964 milhões destinados à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para todas as ações de Políticas Culturais.

A discussão não se resume à realização ou não de uma festa tradicional. O questionamento que começa a mobilizar o setor cultural refere-se a quais prioridades devem orientar a aplicação dos recursos públicos destinados à cultura em Santa Luzia.

A situação se torna ainda mais sensível diante da execução da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), mecanismo federal criado para garantir recursos para trabalhadores, produtores, coletivos e espaços culturais.

O próprio município aprovou, em agosto de 2025, o Plano de Aplicação de Recursos do segundo ciclo da PNAB para Santa Luzia, estabelecendo um total de R$ 1.525.420,43 para ações culturais. O plano prevê recursos para projetos culturais, iniciativas em áreas periféricas e comunidades tradicionais, subsídios a espaços culturais, Pontos de Cultura, Cultura Viva e bolsas para mestres e mestras das culturas tradicionais e populares.

Entre as ações previstas estão R$ 400 mil para projetos culturais, R$ 266,2 mil para produção cultural, R$ 213,5 mil para projetos em áreas periféricas e de comunidades tradicionais, R$ 108 mil para espaços culturais e mais de R$ 461 mil destinados à Política Nacional Cultura Viva.

Embora a Prefeitura tenha publicado editais e iniciado procedimentos de execução da PNAB, permanecem cobranças do setor artístico municipal quanto à efetivação e ao repasse dos recursos aos produtores culturais.

Para artistas e produtores culturais, a questão é especialmente relevante: Santa Luzia não pode se dar ao luxo de gastar R$ 2 milhões com um único evento de três dias. É nesse contexto que a atual crise da cultura de Santa Luzia se torna mais evidente.

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