Santa Luzia ganha novo e importante museu

Santa Luzia ganha novo e importante museu
Gustavo Villa, idealizador do Museu Uaimií, em frente a sede, no Bonfim

O museu Museu Uaimií – Território das Raízes Luzienses, está situado na Rua Bonfim, 226, ao lado da capela do Bonfim, no Centro Histórico. Inaugurado no sábado,12 de setembro, o espaço valoriza as três matrizes étnicas que formaram a história e a cultura da cidade e do Vale do Rio das Velhas

Glaucon Durães

Luzias

Foi inaugurado no sábado (12), em Santa Luzia, o Museu Uaimií, novo espaço dedicado à memória, à história e à diversidade cultural da cidade e do Vale do Rio das Velhas. O nome Uaimií está ligado à denominação indígena antiga do Velhas, rio que teve papel fundamental na ocupação e na história do município luziense e de outras cidades ao longo de suas margens.

A cerimônia de inauguração foi marcada por apresentações culturais de grupos ligados à comunidade local. Entre os destaques, a Guarda de Congado Nossa Senhora da Guia, do bairro Azteca, e uma roda de capoeira do Quilombo de Pinhões, manifestações que expressam a força das tradições afro-brasileiras presentes em Santa Luzia.

Quem compareceu à inauguração também pode ver a exposição  “Do sabre ao pincel – Os esboços de Célio Nunes” da Batalha de Santa Luzia, combate decisivo que marcou o fim da Revolução Liberal de 1842 em Minas Gerais. Essa mostra apresenta estudos e desenhos preparatórios produzidos pelo artista plástico, ilustrador e fotógrafo Célio Nunes para o registro desse momento histórico.

Matrizes africana, afro-brasileira, indígena e européia

A proposta do museu parte das três matrizes étnicas formadoras da região, com destaque para a trajetória histórica de Santa Luzia: a matriz africana e afro-brasileira, a matriz indígena, representada pelos povos originários, e a matriz europeia, especialmente portuguesa.

Célio Nunes, grande artista

A expografia do museu está organizada em três salas, cada uma dedicada a uma dessas matrizes. A organização do acervo busca apresentar ao visitante diferentes aspectos das contribuições desses povos para a formação social, cultural e histórica do território luziense, evidenciando a diversidade que constitui a identidade do município.

O Rio das Velhas não é apenas um elemento da paisagem de Santa Luzia. Ele foi fundamental para a ocupação humana do território. Pesquisas arqueológicas identificaram diversos sítios ao longo de suas margens e de seus afluentes, revelando a presença de povos originários muito antes da formação da cidade. Por isso, a criação de um museu associado ao nome Uaimii ganha um significado todo especial.

Nosso patrimônio histórico é valioso

Gustavo e Iria, no dia da inauguração. Foto: Divulgação

Santa Luzia tem um patrimônio histórico muito rico, ligado à formação de Minas Gerais, à mineração, à religiosidade, à arquitetura e às diferentes comunidades que construíram a cidade ao longo dos séculos. Preservar essa memória é fundamental para que as gerações que virão possam conhecer nossa riqueza histórica.

Contribuiram para a criação do Museu Uaimií duas figuras conheccidas da cidade: o escritor e historiador luziense Gustavo Villa, que trabalhou incansavelmente para que o espaço ganhasse vida. E a professora Íria Maria Renault de Castro Silva, luziense de alma, que cedeu o antigo casarão para que se tornasse sede desse importante museu.

Assim, a abertura do Museu Uaimií representa a criação de mais um espaço de preservação e transmissão de memórias no município, colocando em evidência a diversidade de povos, culturas e tradições que participaram da formação histórica de Santa Luzia e do Vale do Rio das Velhas.

Pausa para organizar o valioso acervo

Depois da inauguração, Gustavo Villa divulgou nota, dizendo que “nosso coração está cheio de gratidão por cada pessoa que participou desse momento histórico e ajudou a dar vida ao Território das Raízes Luzienses.”

Agora, ele explicou, “faremos uma breve pausa para cuidar da manutenção e da organização do nosso acervo.” O museu será reaberto no sábado, 26 de setembro, “com uma programação especial para a Primavera dos Museus” – evento cultural anual promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que ocorre no início da estação das flores.

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